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Trilha

Um Trilha diferente desta vez. Quem não conhece o famosíssimo musical "Cantando na Chuva"? É só cantarolar a inconfundível música tema do filme que alguém ao seu lado logo se junta a você.

Não diferente é a antológica cena em que Gene Kelly canta e dança debaixo de uma tempestade daquelas e termina com a chegada do policial estraga-prazeres. Muito bem coreografada, atuada, dirigida e editada. Um primor, enfim. Aliás, é uma sequência que muita gente conhece sem sequer ter visto o longa de 1952.

Eis que uma mente perturbada, cujo sobrenome Kubrick é mais que uma referência, ousa macular aquela canção. O ano era 1971, o filme, "Laranja Mecânica", obra hoje cultuada por milhões, baseada no livro Anthony Burgess. Numa cena emblemática, os "droogs" liderados por Alex (Malcom McDowell) invadem o domicílio de um casal e sem qualquer remorso espancam, estupram e montam o caos ali. Da boca do protagonista saem os famosos versos "I'm singing in the rain, Just singing in the rain". Na cabeça do espectador, a música nunca mais será ouvida com a inocência de antes. Estranhamente genial.

Com vocês, as duas versões de "Singin' in the Rain". Primeiro com Gene Kelly. Em seguida com Malcom McDowell.

Que tal um horrorshow? Clique nas imagens e aumente o seu som.

"Cantando na Chuva"

"Laranja Mecânica"

+ Informação Rápida
Depois de Daniel Craig deixar o elenco de "Ensaio Sobre a Cegueira", é a vez de Nicolas Cage abandonar o projeto "The Untouchables - Capone Rising". O motivo seria o desencontro de agendas do ator e da produção. Ele era dado como certo para viver Al Capone no prelúdio de "Os Intocáveis", também dirigido por Brian De Palma.
Haja vontade (e grana)

Durante o Festival de Cannes, o ator George Clooney se leiloou, ou quase isso. Pela quantia exorbitante de US$ 250 mil, uma convidada do leilão feito anualmente pela amfAR Aids arrematou um beijo do galã de filmes como "O Amor Custa Caro" e "Onze Homens e um Segredo". O dinheiro, obviamente, foi revertido à fundação.

Informação Rápida
Ao contrário do que era esperado, o novo James Bond, Daniel Craig, não fará parte do elenco de "Ensaio Sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles. As negociações para sua participação não chegaram a um ponto comum. Julianne Moore continua confirmada.
Crítica: O Cheiro do Ralo

            Existem certos personagens que fazem sucesso entre os cinéfilos não por terem ideais altivos ou qualquer coisa boa, mas por serem adoráveis detestáveis, pessoas que não fazem nada de bom, pelo contrário, muitas vezes são uns verdadeiros escrotos (desculpem o termo). Tipos como Alex De Large, de “Laranja Mecânica” ou o “bom” velhinho de Billy Bob Thornton em “Papai Noel às Avessas” são exemplos perfeitos, possuem todas as características do chamado anti-herói (ênfase no “anti”).

 

            Sabendo de tudo isso, conheçam Lourenço. O protagonista de “O Cheiro do Ralo” (Idem, Brasil, 2006), interpretado com maestria por Selton Mello, é odioso. Sua cara de indiferença às pessoas que vão até seu escritório para vender peças de grande estima para si é de deixar qualquer um indignado. Mas como ele mesmo se justifica, aqueles objetos só têm valor sentimental, não vão valer nada na revenda. E mesmo quando valem algo, Lourenço capricha no desprezo no intuito de conseguir o menor preço possível e obter algum lucro depois.

 

            Sua rotina, no entanto é quebrada por dois fatos. Primeiro: do ralo do banheiro de seu escritório anda saindo um cheiro horroroso. Segundo: a bunda pela qual se apaixona. As nádegas, no caso, pertencem à garçonete de uma dessas lanchonetes sujas, cujo nome é ignorado pelo negociador e, por conseguinte, por quem acompanha sua história – “seu nome é uma mistura de três outros: sua mãe, seu pai e um artista de TV”.

 

            A lógica de Lourenço é a da coisificação. Da mesma maneira que ele dá preços a todas as coisas que lhe são oferecidas, parece que o mundo deve seguir o mesmo padrão. Aquilo que não é palpável para ele não pode ser entendido por completo. É aí que entra a figura de seu pai – ou do que se pode chamar de figura. Um olho e uma prótese resumem as lembranças, ainda que fantasiadas, do progenitor. Lourenço é um solitário e não tem jeito algum para se aproximar de alguém. A não ser pela dominação via dinheiro. Suas certezas parecem mascarar essa falha de socialização, criando um mundo com suas próprias regras.

 

            “O Cheiro do Ralo” é baseado na obra homônima de Lourenço Mutarelli – artista oriundo dos quadrinhos que no longa é o segurança da loja – e sua produção se mostrou bem problemática no tocante a verba. Verificando a quantidade de co-produtores e parcerias estampados antes do filme propriamente dito, pode-se ter uma idéia. O diretor Heitor Dhalia chegou mesmo a pensar se o longa sairia. No final, as filmagens foram feitas com apenas R$ 300 mil, no melhor estilo cinema de guerrilha. Contando com pouquíssimo tempo e dinheiro ainda mais curto, toda a produção foi “na raça” e com a paixão dos envolvidos. O que garantiu mais uma das grandes figuras odiadas-mas-amadas na história do cinema.

 

Nota: 9

A Dupla

Fernando Meirelles (de "Cidade de Deus") irá filmar o livro "Trabalhos de Amor Perdidos" do também cineasta Jorge Furtado (de "O Homem que Copiava"). A obra é, por sua vez, uma releitura do texto homônimo de Shakespeare, contando a história de um grupo de jovens estrangeiros na Inglaterra, Dinamarca e Estados Unidos.

A junção de duas das mentes mais interessantes do cinema brasileiro da atualidade promete um excelente resultado. Enquanto ela não vem, Meirelles trabalha em outra adaptação. "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago, virará filme pelas mãos do brasileiro indicado ao Oscar e contará, ao que tudo indica, com Julianne Moore e Daniel Craig no elenco. Já Furtado finaliza "Saneamento Básico - O Filme", sua terceira parceria com o ator Lázaro Ramos.

 

Meirelles e Furtado

Rambo is back... in red blood

Stallone conseguiu um ótimo resultado com "Rocky Balboa", agora é a vez de Rambo voltar. O primeiro trailer já está disponível e mostra muita violência. Clique na figura abaixo e veja.


Comentários de Última Hora: "Stallone is John Rambo" e como ele adora uma metralhadora!

Resumo do FDS

Final de semana devagar. Na semana passada vi quatro longas, nesse, além de conferir "O Cheiro do Ralo" no cinema (crítica logo, logo aqui no Cinefilia), vi apenas mais um filme.

"Cinema Paradiso" (Nuovo Cinema Paradiso, 1988). De Giuseppe Tornatore

Considerado por muitos uma das maiores homenagens do cinema para si, o filme de Tornatore é uma preciosidade. Tem uma gama de personagens muito bons, dosa emoção e graça de forma milimétrica e conta com a atuação enternecedora e muito espontânea de Salvatore Cascio na pele do protagonista Totó quando criança. É o filme mais famoso de Philippe Noiret, recentemente falecido. Impossível não derramar uma ou duas lágrimas durante a projeção. Nota: 9

Novo Coringa

Depois de uma montagem que mostrava uma imagem sem graça de como seria o Coringa de Heath Ledger em "The Dark Knight", agora a imagem oficial do vilão foi revelada (veja acima). O amigo Diego do Blogzóide conta melhor a história de como o imagem veio à tona.

"Legal falar como a imagem foi revelada. Uma ação de marketing bem interessante: primeiramente o site oficial temporário só tinha uma logo do morcegão. Na última semana, quando o visitante clicava no símbolo, era direcionado para o site www.ibelieveinharveydent.com (“eu acredito em Harvey Dent”), onde publicaram uma foto que simulava um “santinho” da campanha do personagem para promotor (que se torna, nos quadrinhos, o vilão Duas-Caras).

Foi quando a Warner revelou outro domínio, www.ibelieveinharveydenttoo.com (“eu acredito em Harvey Dent também”), que trazia a mesma foto, com uma pequena “brincadeira”...

                                                  

Exaltados, os fãs começaram a mandar e-mails para o site. A cada mensagem enviada, uma surpresa: um pixel de imagem era mandado para você. Juntos, os pixel formaram nada mais, nada menos do que a foto do vilão mais bad-ass-mothafocka que Gotham City já viu."

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