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Um homem sério

O personagem Mr. Bean fez o nome de Rowan Atkinson aparecer para o mundo. Surgido na TV inglesa, esse cara quase mudo, trapalhão e muito engraçado chegou aos cinemas em 1997 com o fraquinho "Mr. Bean - O Filme". Muito aquém de suas obras-primas do riso das épocas da televisão.

Pois agora o homem volta às telonas com "As Férias do Mr. Bean". A ver, mas se depender desse vídeo promocional do longa já é um bom começo.

Clique na figura.

Crítica: Motoqueiro Fantasma

           Levando em conta a qualidade do primeiro “Quarteto Fantástico” e o fato de que o diretor Tim Story foi mantido, sua continuação vai estar para “Homem-aranha 3” assim como “Motoqueiro Fantasma” (Ghost Rider, EUA, 2007) está para “300”. Duas adaptações de quadrinhos adultos, os últimos se distanciam um do outro de maneira irremediável. Enquanto o épico com Rodrigo Santoro é belo e bem acabado, o outro é uma aventura infantilizada muitíssimo precária.

 

            A história do piloto de motos Johnny Blaze que vende sua alma ao diabo Mefistófeles para salvar seu pai de uma doença terminal, mas o vê morrer num acidente durante sua apresentação, tem como origem histórias sobre magia negra e satanismo. Contudo, nos cinemas, o protagonista come jujubas e vê programas infantis numa solução idiota para reduzir a censura do longa.

 

            Além do humor de terceira que permeia “Motoqueiro Fantasma”, a direção de Mark Steven Johnson é amadora. Parece que ele é fissurado em “entradas triunfais”. Como em “Demolidor”, no qual o Mercenário de Colin Farrell aparece pela primeira vez enfiando clips na garganta de um qualquer, os vilões da vez, liderados por Coração Negro (Wes Bentley), surgem do nada em um bar para dizimar os beberrões dali. É naqueles malvadões que está a “grande missão” de Johnny Blaze. Mefistófeles o impele a combater as criaturas infernais que querem tomar o comando das trevas. E aí que entra a caveira de cabeça flamejante e sua moto envenenada.

 

            O visual do herói é de primeira, não há como negar. Os efeitos especiais são eficientes em criar o monstro e sua máquina, porém falham no resto. A fusão das imagens maléficas dos seres do submundo com seu rosto “humanizado” é tosca e parece feita às pressas. Por falar em tosqueira, a cidade de San Venganza é tão artificial que parece ser de propósito.

 

            Contando ainda com uma atuação exagerada – mas engraçada – de Nicolas Cage na pele (ou ossos) do personagem-título, e uma péssima de Eva Mendes – apesar de mais bela que o habitual –, “Motoqueiro Fantasma” se perde na total falta de pretensão refletida em seu roteiro, enquanto as adaptações de quadrinhos para a grande tela tentam ser cada vez mais adultas.

 

Nota: 5

"Atores" , e não Atores

Matthew Lillard

Algumas pérolas protagonizadas pelo "Ator"

O cara fez Salsicha tão mal em "Scooby-Doo" que não deixou de ser uma redenção para os fãs do personagem quando o próprio Salsicha deu um pito em Lillard numa rápida passagem de "Looney Tunes - De Volta à Ação".

O novo de Rodriguez e Roth?

Estava eu fazendo uma pequena pesquisa sobre "Grindhouse" no famoso IMDb.com, quando me deparei com um erro que me fez sentir frio na espinha. O filme, como vocês sabem, é uma parceria entre Robert Rodriguez e Quentin Tarantino. Mas o site credita o longa como sendo de Rodriguez e (urgh!) Eli Roth, do imbecil "O Albergue".

É aquela história, ninguém é perfeito.

It's raining 300 men

Todo grande sucesso, tem grandes paródias. A primeira para "300" já está no You Tube. É um clip zoando o filme de Zack Snyder mostrando um lado, digamos, mais delicado do épico. Clique na figura abaixo e confira.

Ahoo!

Morricone no Brasil

Para qualquer amante do cinema essa é imperdível. O gênio Ennio Morricone fará uma apresentação especial no dia 5 de maio no Rio de Janeiro dentro do 1º Encontro Internacional de Música de Cinema. Regendo a Orquestra Petrobrás Sinfônica, o italiano apresentará suas melhores criações, entre elas os clássicos de "Três Homens em Conflito", "Era uma Vez no Oeste" e "Cinema Paradiso".

As presenças dos vencedores do Oscar Gustavo Santaolalla ("Babel") e Gabriel Yared ("O Paciente Inglês"), além dos brasileiros Wagner Tiso ("A Ostra e o Vento") e André Abujamra ("Durval Discos") também estão garantidas. A programação completa do festival ainda não foi divulgada, mas é bom já ir fazendo seus planos.

Falso trailer de Eli Roth

Depois da divulgação do vencedor do concurso do trailer falso de fãs, a vez é de Eli Roth divulgar o seu preview para "Grindhouse". "Thanksgiving" é sangrento, sexual e tosco. Bem ao estilo proposto pela parceria Tarantino/Rodriguez, e na melhor forma "O Albergue". Confira clicando na figura abaixo.

Crítica: 300

           Quantos heróis o cinema já produziu? Centenas, milhares. Para essa galeria, mais 300 cadeiras já podem ser reservadas. A adaptação 300” (Idem, EUA, 2006), de Zack Snyder, baseado na graphic novel de Frank Miller, traz a história da famosa batalha de Termópilas com uma visão totalmente particular e pouco fiel à História – não necessariamente algo ruim.

 

            O que mais chama a atenção na produção é o esmero visual de toda e qualquer cena. Não há sequer um quadro feio, uma cena na qual não se encha os olhos com as cores de sua fotografia. Mesmo em meio a um massacre em que sangue é jorrado e membros são amputados, a visão que se tem é a do cuidado que fotógrafo e diretor tiveram no momento de sua concepção.

 

Em termos de roteiro, 300” é (apenas) eficiente ao amarrar as ótimas cenas de ação com os vários diálogos sobre força, honra e glória. Não há nada de radical ou revolucionário no filme, mas sua força estética sustenta muito bem os minutos em que se acompanha a vitoriosa mistura de linguagens imprimida por Zack Snyder. O cinematográfico dá ainda mais vida aos quadrinhos de Miller. As câmeras estilizadas do diretor são uma extensão da visão do quadrinista, e seus personagens viris e de virtudes inabaláveis cabem sem folgas num contexto que se exige muito mais ações emocionais e orgânicas que racionais.

 

Se Leônidas parece procurar a guerra com suas próprias mãos ao não se curvar diante de uma exigência de outro rei que pretende expandir suas áreas de influência e soberania, é de se entender o fato de qualquer ser humano tem seu orgulho. E justamente numa sociedade que vê em escravos seres menores, ser subjugado por outra civilização, mesmo que de uma maneira mais amena, é lutar contra princípios de raízes muito profundas.

 

Quando o soberano de Esparta sacrifica o mensageiro persa junto à sua comitiva, o recado de que Xerxes terá de tentar tomar aquelas terras à força está dado. É quando Leônidas reúne seus 300 melhores combatentes para uma sangrenta batalha contra hordas de persas. A diferença numérica é batida na esperta estratégia de levar o combate para entre montanhas estreitas que servem como barreira ante ao avanço persa.

 

Muito se falou sobre os propósitos de 300”. Que sua beleza era um elogio ao militarismo, que vias pacíficas eram para os fracos. Agora, como retratar uma sociedade em que deficientes físicos eram descartados ao nascerem, por serem considerados menos capazes que os outros para atividades tanto do cotidiano quanto em conflitos? Como falar de uma civilização em que o exército era formado por seres ditos superiores?

 

A questão é que o filme não foi pensado como uma ode belicista. Mas sim como um produto a ser consumido por fãs de filmes de ação, cinema em geral e histórias em quadrinho. 300” pode ter a beleza de um quadro de Vermeer, pode ser violento como um filme de Mel Gibson, pode ser reprovado, aprovado, amado ou odiado, mas no fim das contas não passa de um produto a ser consumido, verdade seja dita. Tudo o que se formula sobre produções do gênero são especulações.

 

Uma coisa, no entanto, tem de se deixar claro: esquecendo qualquer preceito na porta da sala escura, a adaptação funciona às maravilhas. Distrai e impõe beleza em meio a cenas empolgantes.

 

Nota: 8,5

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