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Trilha

Na semana passada postei um Trilha dos mais classudos. Al Pacino e Gabrielle Anwar hipnotizando com um tango de arrepiar. Dessa vez no entanto, me reservo o direito de partir para algo menos "elegante" e fazer a alegria dos machões.

Muito antes de qualquer notícia sobre "Grindhouse", Robert Rodriguez já havia feito seu filme tipo exploitation ao lado de Quentin Tarantino, "Um Drink no Inferno", de 1996. Vampiros, sangue (sem pleonasmo, por favor), mulheres nuas ou semi-nuas e protagonistas barra-pesada. O filme marca um dos primeiros papéis de destaque de George Clooney, na época famoso pelo seriado E.R. (ou Plantão Médico), além de vermos Tarantino em excelente forma como o irmão do ator/diretor de "Boa Noite, e Boa Sorte".

É ele que se deleita com a presença estonteante de Salma Hayek na cena que verão a seguir. Aliás, como não dizer que a mexicana rouba o filme inteiro para si em menos de cinco minutos? Como Satanico Pandemonium, ela não precisou exercitar sua veia artística, mas há quem lembre dela até hoje por esse personagem.

No mais, o que tenho a dizer é: babe em Salma, tenha vontade de ser Tarantino naquele dia, aumente o volume e curta "After Dark" de Tito & Tarantula embalando essa dança muito, muito sensual - com cobra e tudo. Clique na figura abaixo.

Bregueira

Inutilidade pública, esse tópico só vai servir para zoar a nova arte que soltaram para a promoção de "Spiderman 3". Confiram-na abaixo e me digam: lembra a capa de "Army of Darkness" do mesmo Sam Raimi por trás das aventuras do aranha no cinema, não é mesmo? Claro, salvas as respectivas diferenças. Mas que ficou engraçado, ficou. Lembrei também do cartaz de "Superman III" com o Christopher Reeve carregando Richard Pryor durante um vôo, pela conotação brega/cômica dessa imagem do cabeça-de-teia. Enfim, o negócio é rir.

Tom Cruise e Coppola

Tom Cruise está mesmo querendo se reabilitar de um ano um tanto atípico em sua carreira como foi o de 2006. Ele e a sócia Paula Wagner estão dispostos a distribuirem "Youth Without Youth", novo de Francis Ford Coppola. O diretor da trilogia "O Poderoso Chefão" volta do limbo depois de 10 anos sem filmar. Desde 1990, quando terminou a saga da família Corleone, o cinesata só fez mais três filmes, "Drácula" de 1992, "Jack" de 1996 e "O Homem que Fazia Chover" de 1997.

Seu novo trabalho está nos planos da United Artists, hoje nas mãos de Cruise e Wagner. O longa custou menos de US$ 5 milhões e conta a história de um homem (Tim Roth) de 70 anos que começa a rejuvenescer após ser acertado por um raio, durante a década de 1940.

 

Tom Cruise e Bryan Singer

Depois da recepção morna a "Superman - O Retono", o diretor Bryan Singer prepara uma nova parceria com Chris McQuarrie, roteirista premiado com o Oscar em "Os Suspeitos" de 1995.

Depois da recepção morna por parte de seus antigos parceiros da Paramount a "Missão Impossível III", Tom Cruise prepara sua primeira colaboração com Bryan Singer.

Os três personagens acima citados estarão juntos numa produção que se passa durante a Segunda Guerra Mundial e conta a história de um grupo de pessoas, entre eles um general, que armam um esquema para matarem ninguém menos que o führer Adolf Hitler.

O filme, que ainda não foi batizado, promete, e seria uma pequena volta por cima para Singer e Cruise.

 

Ensaio

           Você liga a televisão para o ver seu programa favorito. Em alguns minutos ele será interrompido para que mais um processador de alimentos ou um conjunto de facas para churrasco seja anunciado por R$ 99,95. Sua reação? Nenhuma, a não ser a de ir até a loja mais próxima e comprar um desses. Aquilo já faz parte de você, sem isso, parece que não há sentido em cozinhar. Aliás, que bela cozinha há em sua casa, não? De quem é o projeto? Claro que eu também preciso de uma dessas, afinal, o bom gosto em deixar que outra pessoa decore sua própria casa por que o nome dela é conhecido, é parte essencial do que gira o nosso mundo, o capitalismo.

            Em “Clube da Luta”, filme de David Fincher de 1999, há uma dura crítica a esse sistema. Através de ações de guerrilha, um personagem se torna símbolo de resistência e ironia contra o consumismo, Tyler Durden. Vivido por Brad Pitt, ele é um desajustado em relação aos emblemas de normalidade da sociedade burguesa. Não quer riqueza e abomina a ostentação, vê no mundo como uma prisão e as pessoas como zumbis, alienados por uma lógica na qual o dinheiro é sinônimo de importância. E o mais interessante de tudo é de onde vem Durden.

            No enredo, o ator Edward Norton vive um yuppie – ao que parece chamado Jack - cuja vida só tem sentido em seus bens materiais. Mas algo está errado com ele. Seu sono é cada vez mais precário, seu apartamento explode e até seus únicos momentos de paz, quando freqüenta grupos de ajuda variados, são atormentados pela figura de uma mulher tão desajustada como ele, Marla Singer (Helena Bonham Carter). A estranha garota parece refletir a personalidade ambígua de “Jack”, um fissurado por consumo que simplesmente não se ajusta à sociedade capitalista.

            É quando ele encontra Tyler em uma de suas viagens. Seus discursos sobre como ser livre num ambiente castrador muda todos os conceitos sobre o mundo de “Jack”. É ali que surgem os chamados Clubes da Luta. Os homens que deixam de ser homens e perdem sua virilidade para se tornarem crianças diante da oferta de um novo carro ou uma nova gravata, voltam a se sentirem vivos com a dor de um soco ou o poder de destruírem e rivalizarem com tudo o que lhes prende.

            Com esse sentimento, o que antes era uma válvula de escape, uma maneira de chocar o puritanismo, acaba se tornando uma milícia de ações contra símbolos do capital. A coisa toma uma proporção muito grande e “Jack” começa discordar dos métodos de Durden. Aos poucos ele vai tomando consciência de que nunca soube exatamente a origem do amigo outsider. Então desperta para o fato de que Durden é uma personalidade sua, desenvolvida duma esquizofrenia que fora sua arma para ir contra a ação do consumismo. Mas naquele momento já era tarde, seu plano – ou de Durden, como podem imaginar - de destruir um grande centro financeiro é posto em prática. “Jack/Durden” observa os prédios sendo implodidos enquanto segura a mão de Marla ao som da sugestiva “Where is my mind?” (Onde está minha mente?) do grupo The Pixies.

            Com uma temática tão subversiva, não foram aleatórias as maneiras de pôr na tela a adaptação do livro homônimo de Chuck Palahniuk, feita pelo diretor David Fincher. Ele trabalha com imagens subliminares, brincando com pequenas aparições de Tyler em várias ocasiões em que vemos “Jack”. Parece o prenúncio de sua chegada. Quando o encontramos, um rápido flashback fala de seu passado como garçom que “peidava nos merengues e urinava na sopa de mariscos” e como projetista que inseria um fotograma pornográfico em meio a filmes infantis.

            A violência das brigas nos clubes parecem rimar tematicamente com as agressões sofridas por aqueles homens em seu meio social. São pessoas perturbadas por que não são bonitas o suficiente, ricas o suficiente, ajustadas como o senso comum diz para ser. É por meio do discurso duro de Tyler que aqueles homens vão se desfazendo de suas ilusões de sucesso. Segundo ele, só quando se perde tudo é que nos tornamos livres e por isso temos de ter a certeza de que “somos todos o mesmo lixo que canta e dança no mundo”. Em meio a frases pungentes, aos poucos, aquele “louco” que pede para baterem nele o mais forte que conseguirem, mostra uma nova forma de viver, que casas enormes não servem de nada, que a perfeição não existe e que não somos aquilo que possuímos. “Você não é suas malditas calças!”.

            Crítico, ácido e irônico, “Clube da Luta” foi considerado o “Laranja Mecânica” da década de 1990. Ele é a pá de cal na cultura yuppie, que via no enriquecimento o sentido de toda uma vida. O resultado positivo final do capitalismo que disputava o mundo com o comunismo até o fim dos anos 80.

Infelizmente o mal tem seus meios de vencer, o capital parece engolir tudo que lhe contradiz. Foi assim com o movimento punk, hoje vendido em bandas de segunda e roupas de butiques. Tyler Durden foi transformado em ícone de subversão estampado em camisetas para adolescentes revoltados-sem-causa o guardarem em suas gavetas. O que eles não compreendem é a profundidade de frases como “Você tem de desistir. Tem de saber que um dia morrerá. Até entender isso, você é inútil”.

 

“Fomos criados pela TV para acreditar que um dia seriamos milionários e estrelas de cinema, mas não somos”.

Durden

 

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