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Trilha

Quem nunca foi ao cinema e ficou com uma música grudada na cabeça? Se você viu "O Guarda-Costas" sabe do que falo ("And I... Will Always Love Youuuuu!"). Muitas vezes a trilha sonora de um filme se sobressai e ficamos extasiados. Comigo isso acontece bastante, músicas como as de "Coração Valente" ou "Edward Mãos de Tesoura", além de emoldurarem como poucas as cenas de seus respectivos longas, são de uma beleza absurda. Arrepia mesmo!

Então começo aqui a Trilha. Nela vou partilhar grandes momentos do cinema (pelo menos para mim ) em que música e imagem casam de maneira singular. Pensei em começar com algo animado, bem ao estilo "Embalos de Sábado à Noite", mas achei melhor uma sequência pra lá de inusitada e estranhamente bela de um de meus favoritos, "Magnólia".

Então, ao som de Aimme Mann na ótima 'Wise Up' convido vocês a curtirem a primeira Trilha (clique na figura).

A Não Dica da Semana

  

            Em minha crítica sobre Superman – O Retorno, escrevi: “O que dizer quando se é fã de um diretor e pela primeira vez ele erra? Não muita coisa, abaixa-se a cabeça e pensa: ‘ninguém é perfeito’”. E aqui chego para lamentar que “A Dama na Água” é a Não-Dica da Semana.

 

            Eu sou fã absoluto de M. Night Shyamalan como de Bryan Singer, diretor do último longa do homem de aço, mas o indiano que amedrontou o mundo todo com o seu garotinho que via gente morta baixou o nível em seu último trabalho. Tanto em sua direção, quanto em seu roteiro, as coisas parecem não fluir.      

            O caso é que ele queria fazer algo totalmente diferente do que já havia concebido, mas nem por isso precisaria deixar suas grandes características de lado. Sua direção de angulações muito elegantes dá as caras em momentos muito raros. Sua predileção em esconder mais do que mostrar, aqui é totalmente esquecida.

Na história da narf, ser aquático que leva os homens a atitudes mais elevadas, e do zelador de um condomínio, Shyamalan, que parecia não gostar de efeitos visuais, se rende às criaturas feitas em CGI e não consegue causar um décimo da tensão ou verossimilhança que um “A Vila” atinge. Nas cenas de ataques dos lobos de grama, scrunts, estamos diante de “Um Lobisomem Americano em Paris”, só que com diversão zero.

E já que estou aqui para lamentar o primeiro erro de um grande diretor, quase choro quando percebo que o roteirista também deixa muito a desejar. As idas e vindas do enredo são de um despropósito enorme. Meu Deus, que teoria é aquela de que o personagem de Paul Giamatti tem de parecer criança para que a senhora asiática conte a história que poderia resolver toda a trama? Serviu para que o ator fizesse uma constrangedora seqüência na qual come biscoitos, toma leite e se deita no sofá como um menininho, fazendo corar qualquer ser humano com o mínimo de senso crítico.

Aliás, o crítico de cinema de “A Dama na Água” é exatamente como descreveu Pablo Villaça em sua resenha sobre o filme, uma armadilha: “se ataco, é porque fiquei ofendido com a forma com que minha profissão foi retratada”. Mas, convenhamos, o cara é muito desagradável, se ele fosse engenheiro ou vendedor, sua arrogância seria notada da mesma maneira.

Então é uma pena vermos que o talento do diretor foi trocado por algum tipo de desespero de se reinventar quando, na verdade, tudo ia bem. Seria uma resposta para a Disney, antigo estúdio para o qual trabalhava, de que ele poderia fazer o que desse na telha? Ou seria apenas um erro de percurso? Gosto de pensar nessa última hipótese, pois nada como cenas trabalhadas como aquela em que Bruce Willis se utiliza dos recém-descobertos “poderes” e acaba dentro de um piscina mal coberta por uma lona preta em “Corpo Fechado”.

 


Comentários de Última Hora: “A Dama na Água” está nas locadoras desde janeiro, só agora o assisti. Desculpem-me não avisá-los antes.

Billy Zane

Algumas pérolas protagonizadas pelo "Ator":

Ele foi Caledon Hockley em "Titanic", de James Cameron... Pra quem não lembrou: o noivo-vilão-chatinho-e-manhoso de Kate Winslet.


Comentários de Última Hora: que fotinha ridícula!!!

Crítica: Babel

É sempre bom ver um diretor de talento procurar projetos de ambição. Passando por quatro histórias paralelas, o enredo de “Babel” (Idem, França/EUA/México, 2006) amplia ainda mais o universo do diretor Alejandro Ginzáles Iñárritu e, entre trancos e barrancos, traz uma importante mensagem sobre relações humanas.

 

            A multiplicidade que o próprio título desse trabalho passa, é vista através da truncada maneira como os personagens tentam resolver seus problemas. Por mais que tentem, eles são travados pela falta de sintonia em que o ser humano vive. As heterogêneas línguas e culturas interligadas pela globalização não acompanham a velocidade com a qual o modo de vida capitalista de grande parte do mundo anda. Essas diferenças fazem daquelas pessoas vítimas e algozes de seus problemas.

           

            Brad Pitt e Cate Blanchett procuram pôr seu casamento novamente nos trilhos longe de seu país, mas esquecem que a distância nem sempre é boa exorcista de dores sentimentais. Elas estão neles, para onde forem as terão como companheiras. Quando Blanchett é baleada acidentalmente o turbilhão de sentimentos do casal é catalisado e suas dificuldades elevadas.

           

            De atitudes menores, mas inconseqüentes, as existências duma família marroquina e da babá Amelia (Adriana Barraza) são viradas do avesso. No caso desta, devido a uma quase imperceptível provocação de seu sobrinho (Gael Garcia Bernal) a um policial de fronteira, uma fuga põe em risco a vida das crianças pelas quais é responsável. Já para os marroquinos, o simples teste de alcance dum rifle feito pelos seus filhos, acabará em um incidente internacional.

 

            Na melhor das histórias de “Babel”, a adolescente japonesa Chieko (Rinko Kikuchi) procura a resposta de suas inseguranças juvenis através do sexo. Por ser surda-muda, se vê como alguém esquecido e fora da sociedade. Ela não percebe que sua deficiência não é o motivo de seu sentimento de exclusão, aquilo é algo típico de todo jovem. Para Chieko, Iñárritu reserva as duas cenas mais belas do longa. A primeira, passada numa boate, com belíssimo trabalho de edição de som, a segunda, finda a película. 

            Mais ambicioso que em seu título anterior, “21 Gramas”, mas bem menos profundo, o diretor mexicano demonstra grande preocupação em tentar entender a sociedade na qual vive. Também tenta mostrar alguns de seus problemas ao público e, mesmo não se saindo com um trabalho genial, tem a importância de debater sobre a condição de vida em que o homem se mantém e constrói.

Nota: 8

Ele de novo?

Depois de protagonizar o que pode ter sido a grande bomba de 2006, "O Sacrifício", Nicolas Cage parece querer repetir o erro, só que agora como protagonista da refilmagem de "A Mosca", de David Cronenberg. O diretor, que não retomará o seu lugar no remake, disse que Cage anda de olho no personagem.

Se depender do histórico de "releituras" de clássicos do terror ("O Massacre da Serra Elétrica""A Casa de Cera", para citar só dois) que vêm surgindo e o próprio "Homem de Palha" do ator, é de se ficar com medo do que está por vir.

Framboesa de Ouro

A coisa é simples, o Oscar elege os melhores do ano, o Framboesa de Ouro, os piores! O grande "vencedor" de 2007 foi "Instinto Selvagem 2". Veja os outros "premiados":

Pior Filme
Instinto Selvagem 2 (também conhecido como Basically, It Stinks, Too)

Pior Ator
Marlon Wayans & Shawn Wayans (O Pequenino)

Pior Atriz
Sharon Stone (Instinto Selvagem 2)

Pior Ator Coadjuvante
M. Night Shyamalan (A Dama na Água)

Pior Atriz Coadjuvante
Carmen Electra  (Uma Comédia Nada Romântica e Todo Mundo em Pânico 4)

Pior Dupla/Casal
Shawn Wayans & Kerry Washington ou Marlon Wayans (O Pequenino)

Pior Refilmagem ou Plágio
O Pequenino (plágio do desenho do Pernalonga 'Baby Buggy Bunny', de 1954)

Pior Continuação ou Pré-Continuação
Instinto Selvagem 2

Pior Direção
M. Night Shyamalan (A Dama na Água)

Pior Roteiro
Instinto Selvagem 2

Pior Desculpa para Entretenimento Familiar
Férias no Trailer

  

Oscar 2007

Numa noite de piadas, em sua maioria, fracas, o 79º Oscar foi entregue. É sempre aquela história: umas surpresas aqui, outras ali, mas tudo transcorrendo na mais perfeita harmonia hollywoodiana. E por mais que a festa seja previsível fica aquela expectativa de quem será o "grande filme do ano".

Em 2007 a vez foi do mestre Martin Scorsese. Depois de um sem número de indicações para melhor diretor, o baixinho ítalo-americano conseguiu sair do hall de diretores consagrados que nunca venceram o Oscar (entre eles Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock). Merecia não só pela sua importância, como também pela competência em "Os Infiltrados", filme policial classudo e denso.

"Pequena Miss Sunshine", que ganhou muita força nas últimas semanas, surpreendeu ao ter Alan Arkin premiado como melhor ator coadjuvante, contrariando as previsões de que Eddie Murphy levaria por "Dreamgirls - Em Busca de um Sonho". Aliás o filme de Bill Condon foi umas das grandes decepções da noite. Ele foi o maior indicado desse ano, oito no total. Acabou ficando com o previsto Oscar de atriz coadjuvante na atuação de Jennifer Hudson e o de melhor som. O que mais chamou atenção, no entanto, foi que nenhuma de suas três canções nomeadas e cantadas a plenos pulmões por suas atrizes conseguiu vencer a balada 'I Need To Wake Up' do documentário vencedor "Uma Verdade Incoveniente" - particularmente achei que a melhor música das cinco era a de "Carros", 'Our Town'.

Um dos grandes anti-clímax de 2007 foi a categoria melhor filme estrangeiro. "Labirinto do Fauno" que já tinha recebido três estatuetas (Fotografia, Direção de Arte e Maquiagem), perdeu a principal para o alemão "A Vida dos Outros". Algo a se lamentar, pois o longa de Guillermo Del Toro é uma pequena pérola.

A boa notícia é que "Happy Feet - O Pingüim" desbancou a toda poderosa Pixar e seu "Carros" entre os melhores filmes de animação. Merecidamente. A produção de George Miller é muito mais forte que o novo de John Lasseter.

Ennio Morriconne, um dos maiores nomes das trilhas sonoras de todos os tempos, recebeu o Oscar honorário desse ano. Justíssimo.

  

Oscar - Vencedores

Abaixo todos os vencedores do 79º Academy Awards:

Filme
Os Infiltrados

Diretor
Martin Scorsese (Os Infiltrados)

Ator
Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

Atriz
Helen Mirren (A Rainha)

Ator Coadjuvante
Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)

Atriz Coadjuvante
Jennifer Hudson (Dreamgirls - Em Busca de um Sonho)

Roteiro Adaptado
Os Infiltrados

Roteiro Original
Pequena Miss Sunshine

Animação
Happy Feet - O Pingüim

Documentário
Uma Verdade Inconveniente

Filme Estrangeiro
A Vida dos Outros

Montagem
Os Infiltrados

Fotografia
O Labirinto do Fauno

Trilha Sonora
Babel

Canção
"I Need To Wake Up" (Uma Verdade Inconveniente)

Direção de Arte
O Labirinto do Fauno

Efeitos Visuais
Piratas do Caribe 2 - O Baú da Morte

Figurino
Maria Antonieta

Maquiagem
O Labirinto do Fauno

Efeitos Sonoros
Cartas de Iwo Jima

Som
Dreamgirls - Em Busca de um Sonho

Curta-Metragem
West Bank Story

Curta-Metragem de Animação
The Danish Poet

Curta-Metragem - Documentário
The Blood of Yingzhou District

Crítica: A Rainha

 

 

           Existem filmes e filmes sobre fatos históricos. Há os que acrescentam algo não existente nos fatos com o intuito de fazer a história “mais cinematográfica” (“Gladiador”), os que não dão a mínima e deturpam os acontecimentos (“Falcão Negro em Perigo”) e aqueles que tentam se manter totalmente fiéis ao que se passou em determinado momento. E é nessa terceira categoria que o indicado ao Oscar “A Rainha” (The Queen, Reino Unido/França/Itália, 2006) se encaixa.

 

            Com um olhar muito sóbrio e sem qualquer julgamento, o diretor Stephen Frears filma os excelentes diálogos do roteiro de Peter Morgan. Aliás, nota-se que o roteirista consegue mostrar a família real britânica de maneira muito próxima e prosaica. A câmera se torna o olhar de mais um habitante dos palácios e ranchos dos nobres.

 

            Dessa forma, o enredo mostra como Elizabeth II lida com uma das grandes crises de seu reinado, a morte da Princesa Diana. Entre um ataque e outro de seus súditos e da louca imprensa inglesa, a rainha tenta se resguardar, enfrentando um dilema à luz de sua criação conservadora e do modernismo pregado pelo recém-eleito Primeiro Ministro, Tony Blair. O povo pede uma participação mais ativa de Elizabeth, ela procura uma solução para a questão, afinal, como tratar do funeral de um ex-membro da família real? Algo sem precedentes na história.

           

            A simplicidade na condução do filme é cativante, a figura da rainha na interpretação pra lá de segura de Hellen Mirren é instigante, dos momentos mais triviais à maior das pompas revelada pela produção, sempre se quer mais, parece que há sempre algo para se conhecer sobre aquela nobreza, seus pensamentos ou ações. Por esse motivo “A Rainha” deixa pra trás filmes como “O Código da Vinci”. Sem um quarto do sensacionalismo daquela produção, é possível conhecer segredos de instituições, sombras que rondam pessoas poderosas e ainda nutrir certo apreço por aqueles indivíduos, por mais falhos que eles possam ser.

                       

            E não vá imaginando que se trata de um longa-metragem denso, de ritmo arrastado. Muito pelo contrário, há momentos muito engraçados, contando com aquele humor britânico de sorriso no canto da boca. Além de imagens fortes como quando a toda poderosa soberana da monarquia inglesa chora sob a pressão de ser quem é em tempos difíceis.

           

            A ressalva fica por conta do desenvolvimento do personagem Charles. Alex Jennings na pele do príncipe só tem tempo de mostrar um egoísmo fora de mesura, além de uma personalidade infantil, nada condizente com o restante dos indivíduos que figuram na película.

 

Nota: 8


Comentários de Última Hora: a fotografia de "A Rainha" é do brasileiro Affonso Beato.

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