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Roubo bizarro

Se você é daquelas pessoas que gostam de comprar artefatos, digamos, inusitados pela internet, fique esperto. O diretor Petter Webber informou que uma falsa cabeça decepada e um pênis de borracha foram surrupiados dos sets de "Hannibal - Por trás da Máscara", filme que conta como foi a juventude do canibal mais famoso do cinema. O cineasta anda vasculhando sites de leilão em busca dos objetos roubados. "Alguma pessoa está andando por aí com um grande pênis de borracha e uma cabeça falsa", disse Webber.

Com o fim do preconceito...

Somente para ilustrar o fim de meu preconceito, entro na fila dos que aguardam a continuação de "O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupas". "As Crônicas de Nárnia - O Príncipe Caspian" deve aportar nos cinemas brasileiros em 23 de maio de 2008, apenas uma semana após a estréia nos Estados Unidos, de acordo com informações da Buena Vista.

Tá, eu sei, vai demorar, só pra deixá-los informados.

Preconceito de quê?

Quem não tem preconceito com algum gênero de filme? Conheço gente que não gosta de animações, porque "são coisa de criança". Ok, criança. Não deixaria minha irmãzinha de 11 anos ver "Akira" nem sob tortura! Agora, se a colocasse para assistir a "Waking Life", em 15 minutos ela estaria em sono profundo.  Mas como eu também tenho alguns preconceitos, entendo, até certo ponto, esse tipo de ignorância.

Não curtia muito os musicais, achava aquela cantoria bem chatinha. Até assistir a "Moulin Rouge". Ewan McGregor soltando o gogó ao lado de uma linda Nicole Kidman fez minha resistência ir por água abaixo. Claro que o anacronismo presente do filme não atrapalhou em nada.

E foi com o sentimento de que "As Crônicas de Nárnia - O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupas" seria uma cópia safada de "O Senhor dos Anéis", me sentei para ver o filme baseado na obra de C. S. Lewis. Lá pelas tantas percebi que estava gostando da produção, e que, deixando o tal preconceito de lado, "Nárnia" poderia ser um belo entretenimento. Não deu outra, depois do 143 minutos saí com a alma lavada. O diretor Andrew Adamson conseguiu fugir de quase tudo que poderia lembrar os filmes de Peter Jackson - quase, a grandiosidade da batalha final era algo impossível de se escapar. Afinal de contas, um mundo mágico com criaturas estranhas não é exclusividade de Tolkien. E "Nárnia" tem um público um tanto difereciado das aventuras de Frodo e companhia. Basicamente, enquanto o primeiro dialoga com os mais jovens, o segundo procura os grandinhos que amam a trilogia do anel.

E é por isso que digo: deixe o preconceito de lado e se divirta bastante com a luta dos irmãos Suzana, Edmundo, Lúcia e Pedro, ao lado do leão Aslan, contra a Feiticeira Branca, por uma Nárnia livre! Você ainda terá a grata surpresa de um achado: a jovem Georgie Henley, na pele de Lúcia, é de uma expressividade descomunal. O último prodígio dessa categoria, que eu me lembro, se chama Haley Joel Osment.

Crítica: Perfume - A História de um Assassino

Escrito em 1985, aclamado em todo mundo, somente em 2001 o livro de Patrick Süskind, Das Parfum, teve os direitos de adaptação para o cinema comprados. Dali foram mais seis anos para o lançamento do filme no mundo todo. E valeu muito a pena essa espera de 22 anos. Dirigido por Tom Tykwer (de “Corra Lola, Corra”), a história do jovem Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw), cujo olfato tem um poder incrível, toma a proporção exata de sua mitologia em Perfume – A História de um Assassino”.

 

O enredo se passa na Europa medieval e cada fotograma seu dispõe de uma incrível reconstituição de época, desde a beleza natural das paisagens às nauseantes imundices das cidades daquele continente. Nunca se esquecendo dos figurinos requintados e da fotografia que capta o exato sentimento de cada cena. No nojento mercado de peixes onde Grenouille nasce a tela se inunda de cores frias, nas perfumarias e casas abastadas os tons são pastéis, ressaltando a riqueza dos lugares e os tornando mais aconchegantes. O esquecimento de “Perfume” no Oscar chega a ser absurdo.

 

Tykwer se vale, basicamente de planos-detalhe e edição rápida para que a platéia entre no mundo de cheiros do protagonista. E ele é bem sucedido na tarefa de despertar sensações através de suas imagens. Na cena em que o diretor filma uma unha suja quase é possível sentir o odor exalado, assim como quando Jean-Baptiste se deleita com a fragrância da pele de uma jovem ruiva. E é nesse momento que ele sabe de onde poderá extrair o maior dos perfumes, a maior das essências. No corpo de uma bela mulher está a mais forte e inebriante sensação de prazer olfativa – numa clara conotação sexual. E também no mesmo instante em que ele tem essa iluminação, descobre que com a morte o cheiro esvai-se, simplesmente é perdido com a vida.

 

            A partir dali, Grenouille buscará de todas as formas uma maneira de elaborar um perfume através daquele aroma divino. Algo que vai levá-lo a atitudes extremas e aterrorizar a pequena cidade francesa de Grasse.

 

            O que poderia ser só mais uma história de tons sombrios (e eles estão lá) não se resume a apenas um filme sobre assassinatos em série. “Perfume” passa por questões muito mais profundas - como a busca de uma identidade divina ou o que torna o homem uma criatura digna de ser a “imagem e semelhança de Deus” - guardando alguns bons momentos de comédia – à sua maneira, claro.

 

            Para fechar as boas escolhas da equipe do longa, vem seu elenco. Destaque para Ben Whishaw que consegue, em sua atuação econômica, fazer de Jean-Baptiste um personagem a se admirar e repudiar ao mesmo tempo. E não é a toa sua obsessão pelas ruivas Karoline Herfurth e Rachel Hurd-Wood, elas estão deslumbrantes na produção.

 

Nota: 8,5

 

 

Sai Jackson, entra Raimi

Se Tolkien teve nas mãos de Peter Jackson uma adaptação para o cinema à altura de sua obra, agora que o diretor pulou fora do barco de "O Hobbit", o escritor inglês não ficará nas mãos de qualquer um. Pelo menos é o que garantem os boatos, pois Sam Raimi estaria interessado em capitanear as aventuras de Bilbo Bolseiro pela Terra Média. As informações de que o cineasta gostaria de trabalhar na adaptação vêm do jornal Los Angeles Times, contudo não existe nada oficial. Especulação? É aguardar o próximo capítulo dessa novela.

 

Crítica: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

Enquanto você assiste a “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” uma palavra pode resumir todas as impressões sobre o filme: delicadeza. Da trilha sonora às atuações, passando pelas emoções transmitidas pelos personagens, tudo tem um toque de sutileza.

 

            O garoto Mauro é deixado pelos pais, fugitivos da ditadura, na casa do avô no bairro do Bom Retiro em São Paulo, com a desculpa de que estão saindo de férias. O que nenhum deles esperava, é que o velhinho barbeiro morresse pouco instantes antes da chegada da criança. Enquanto aguarda a prometida volta dos pais para assistirem a Copa do México de 1970 juntos, Mauro fica aos cuidados do judeu Shlomo. A partir dali a vida dos dois toma rumos completamente novos.

 

            Através de imagens que dizem muito, sem muitas palavras, o diretor Cao Hamburguer mostra um período de intensa repressão e grande agito no país, pelos olhos de uma criança que descobre o mundo, ao preço de seu amadurecimento. Surgirão amizades, conflitos e alegrias, porém tudo sempre mergulhado em cores um tanto tristes com a falta que os pais fazem a Mauro. Tudo muito bem fotografado por Adriano Goldman, que usa tons azuis e acinzentados filtrando todas as outras cores e criando uma melancólica ambientação à fita. Trabalho de rara beleza.

 

            Em destaque também está Michel Joelsas. Na figura de Mauro, o garoto se sai com uma atuação contida e cria forte empatia desde a primeira cena. Seus grandes e expressivos olhos azuis são belas janelas para que se possa entender sua saudade, mesmo em momentos de pura felicidade. A exemplo da cena em que joga futebol e vê um carro parecido com o que lhe deixou na casa do avô, passar pela rua.

 

            Sempre trabalhando de maneira minimalista, Hambuger reserva uma linda seqüência em que, numa festa, Mauro puxa uma animada dança com os amigos. A alegria das crianças é entrecortada pela cavalgada de militares que rumam para o Bom Retiro em busca de alguns rebeldes. O sentimento de que algo vai se perder é potencializado pela incrível montagem da cena.

 

            O único grande defeito de “O Ano” é seu final apressado e um tanto confuso, que não explica muito bem o que se passa. Isso mina a força que aqueles minutos finais poderiam ter. É um pouco decepcionante, não se pode negar, todavia se trata de apenas um tropeço em meio à delicada maneira com que Hamburguer conduz seu filme.

 

Nota: 8

 


Comentários de Última Hora: "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" concorre ao Urso de Ouro em Berlim. "Central do Brasil", de Walter Salles levou o prêmio em 1999. Agora é torcer.

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