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A Não-Dica da Semana

 

Quando escrevia para o site Spiner (www.spiner.com.br/jornalspiner) criei uma coluna para a qual adorava escrever: a Não-Dica da Semana. O objetivo era o de esculhambar racionalmente (se é que isso é possível) filmes que tiveram uma bilheteria expressiva, mas que não valiam o preço da entrada para o cinema. Comprei algumas brigas falando mal de filmes como “O Código Da Vinci” e “O Albergue”.

 

E é claro que eu iria continuar essa coluna aqui no Cinefilia. E já pra inaugurar a Não-Dica da Semana aqui no blog com grande estilo, começo com a terceira maior bilheteria de todos os tempos, o engodo “Piratas do Caribe: O Baú da Morte”. Serei linchado dessa vez?

 

Vou começar com o que o filme tem de bom: a atuação de Johnny Depp. Na pele do Capitão Jack Sparrow pela segunda vez, ele está ainda mais à vontade. E é responsável por uma das melhores falas de 2006:

 

            Elizabeth Swann (Keira Knightley) ao egocêntrico Jack:

            “Num desses momentos de glória você não vai resistir e fará a coisa certa”.

            Ele responde cinicamente:

            “Não resisto a esses mementos, adoro acenar quando eles passam por mim”.

 

Pronto. Já falei do que “O Baú da Morte” tem de bom. O resto dos 150 minutos do longa são de pura correria desmiolada e muito, muito barulho. É como se a quantidade de decibéis fizesse diferença na ação do filme. A trilha sonora é constante, não pára e os efeitos sonoros são exagerados, estrondosos. E isso não coisa de cinéfilo rabugento, adoro efeitos visuais. Películas como “O Senhor dos Anéis” ou “Matrix” têm meio afeto. Mas aqui há um show de como não utilizar o espetáculo que Hollywood oferece.

 

Outro detalhe é a inexpressividade de Orlando Bloom. Alguém sabe o motivo de tanta gente gostar dele? O indivíduo simplesmente faz uma cara só desde que Peter Jackson o escalou para viver Legolas na trilogia do anel. Chegando ao ápice da canastrice em “Tróia”. Dava dó vê-lo “atuar” em meio a gente como Peter O’Toole.

 

Quando em 2003 estreou “A Maldição do Pérola Negra”, a primeira aparição da turma de Jack, os cinemas lotaram. O que garantiu não só uma segunda, como uma terceira aventura para os marujos. Foram arrecadados US$ 700 milhões para os cofres da Disney. E com a segunda parte, mais de US$ 1 bilhão. O que esperar da terceira, então? Particularmente, uma melhora na qualidade do roteiro, que roda, roda e acaba no mesmo lugar. Vide os repetidos ataques da criatura Kraken e o término do filme com a volta do capitão Barbossa. Uma besteira que ao invés de entreter, cansa.

 

A boa notícia da terceira parte, intitulada “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo”, é que Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, fará uma participação como o pai de Jack Sparrow. Lembrando que Depp se baseou no músico para compor o corsário.

 

Prejuízo

Sua vida financeira anda complicada? Então veja o caso do filme "Zyzzyx Rd.".

O longa estrelado por Tom Sizemore (de "O Resgate do Soldado Ryan") teve um custo de US$ 2 milhões. Foi lançado nos cinemas... Cinemas? Foi lançado em uma sala na cidade de Dallas e obteve uma incrível marca nas bilheterias: US$ 30. Isso mesmo, apenas Trinta Dólares. É, sem dúvida, o maior fracasso de todos os tempos no cinema.

Filmes como "Ishtar", de 1987 e "O Mensageiro", de 1997, ficariam orgulhosos com suas arrecadações (!) ao lerem essa notícia.

Crítica: Filhos da Esperança

 

Uma das várias maneiras de se ver o trabalho do diretor dentro de um filme, é perceber como ele ensaia as marcações do atores e a maneira como irá cortar cada cena. No caso de Alfonso Cuarón em “Filhos da Esperança” (Children of Men, EUA/Reino Unido, 2006), seu trabalho é inacreditável. Os enormes planos-sequência que ele concebe, só fazem o expectador se sentir cada vez mais ligado á história ultra-humana desse longa.

 

O ano é 2027, a humanidade encontra-se em declínio. Nenhum homem ou mulher é fértil e a pessoa mais jovem no mundo, o Bebê Diego, tem 18 anos. Quando o rapaz é assassinado, se abate sobre os homens uma onda de desesperança que encontra em Theo (Clive Owen) uma barreira. Ele simplesmente não se abala com a notícia, não por uma questão de otimismo, mas por pura inércia. “Ele era um babaca!”, desabafa o personagem que toca sua vida com a dificuldade de um dia após o outro esperando sua morte.

 

Tudo vai mudar, no entanto, quando sua ex-mulher, Julian (Julianne Moore), o seqüestra e lhe incube de uma missão que vai relembrá-lo do passado ativista, de quando ainda nutria algum tipo de sentimento pelo mundo. A jovem Kee (Claire-Hope Ashitey), inexplicavelmente, espera um filho. Por ser uma imigrante numa Inglaterra que os vê como invasores e os trata como cães, Theo tem de levá-la ao que chamam de Projeto Humano. O detalhe é que ninguém sabe, ao certo, se esse projeto existe ou se trata de pura ilusão.

 

O tom de decadência social é potencializado pelos ambientes de guerra e fotografia acinzentada concebidas pela equipe de Cuarón. A cada movimento de Theo é possível notar a miséria na qual o mundo vive. Tudo muito velho e destruído. É quase impossível não se sentir aprisionado por um futuro tão apocalíptico.

 

Um último lampejo de esperança figurado na criança de Kee, vai aproximando a história a quem assiste seu desenrolar. A maneira documental e extremamente próxima com que o mexicano Cuarón mantém sua câmera, desperta raiva, tristeza e compaixão. O plano no qual se acompanha a busca de Theo por Kee, em meio à batalha dentro de uma prisão para imigrantes, é chocante, realista e um primor no que diz respeito ao trabalho cinematográfico.

 

Ao final, a busca pelo navio Amanhã, do tal Projeto Humano, se mostra pura poesia. Quando a tela escurece, o público vai pra casa com a incerteza de um futuro concreto. Mas com a sensação de que ainda se guarda algo para os dias que virão.

 

Nota: 9

 


 

Observações de Última Hora: A jovem que carrega a criança no ventre se chama Kee, a fonética de seu nome é a mesma da palavra "key", "chave" em inglês. Seria apenas coincidência?

 

Mais observações: Repare quando Theo pede ajuda a seu primo numa fábrica repleta de obras de arte como o Davi de Michelangelo, a tela Guernica de Picasso e um porco inflável preso ao teto da indústria, exatamente igual à capa do álbum Animals do Pink Floyd.

 

 

 

300 bons motivos para não perder

Se "Sin City" foi uma obra a altura das HQ's de Frank Miller, o que esperar de "300"? Os trailers do novo filme de Zack Snyder são de arrepiar, imagens incríveis. Beleza, violência e erotismo se misturam de uma maneira raramente vista no cinema. E, Deus do céu, foram apenas trailers! Com toda certeza uma das obras que mais despertam curiosidade e ansiedade no público para o ano de 2007.

Snyder já havia feito um belo trabalho na refilmagem de "Dawn of the Dead" (ou "Madrugada dos Mortos") de ninguém menos que George Romero. Ao que parece ele irá se superar. E com mais um motivo para que os brasileiros vão ao cinema. Pela primeira vez Rodrigo Santoro tem um papel de grande destaque no cinema internacional. Suas participações em "As Panteras Detonando" e "Simplesmente Amor" não tinham a metade da visibilidade que o imperador - e grande antagonista de "300" - Xerxes vai lhe proporcionar.

É torcer para que a grandiosidade que o épico sobre a invasão persa a Esparta, em 480 a.C., vem tomando, não pese sobre seus próprios pés.

Abaixo alguns cartazes da produção.

IMDb

O maior banco de dados sobre cinema na internet, com certeza, é o IMDb (Internet Movie Database). Lá é possível achar informações de muitos, muitos filmes. É uma mão na roda. Se você buscar informações sobre um ator em especial, pode achar até os programas de TV que ele fez.

Quer boas informações sobre cinema? É o site que recomendo.

Como curiosidade há o Top 250. Uma intrincada equação, explicada no site e que leva em conta a cotação dada ao filme, número de votos e uma cota mínima de votos requerida para que o longa entre no Top 250, rege a classificação. Algo que faz filmes como "O Pagador de Promessas" de Anselmo Duarte, ter nota 9 e nem aparecer na lista.

Os três primeiros colocados são, em ordem: "O Poderoso Chefão" (média 9,1), "Um Sonho de Liberdade" (média 9,1) e "O Poderoso Chefão 2" (média 8,9). O filme brasileiro melhor colocado é "Cidade de Deus", em 18º lugar e com nota-média 8,6.

O longa mais recente e com melhor colocação é "Os Infiltrados". O 80º lugar do novo trabalho de Scorsese foi garantido com uma média de 8,2.

Dos filmes preferidos deste humilde blogueiro-cinéfilo, o que corre mais à frente é "Um Estranho no Ninho" na 12º posição. Sendo que meu diretor favorito, Stanley Kubrick, tem como filme mais cotado no site, a comédia de humor negro "Dr. Fantástico", ocupante da 19º colocação.


+ música e cinema

Mais uma: Marylin Manson será um papa de 300 anos em filme do diretor chileno Alejandro Jodorowsky! Isso é que é blasfêmia!

Prepare-se para muita viagem numa história em que um grupo de gângsteres encontram o esqueleto de um homem gigante num cassino. O título da empreitada é "King Shot". Além do cantor, no elenco Nick Nolte.

Taí um filme a ser visto. Previsto para o fim desse ano.

How does I feel?

Agora a mais legal do dia: se Depp será Mercury, quem você escalaria para ser Bob Dylan? O diretor Todd Haynes não escalou um, mas vários atores para viverem o ícone da música folk. Entre eles Heath Ledger (pessoalmente acho uma boa escolha), o batman Christian Bale, Richard Gere (que terá de pintar o cabelo) e até Cate Blanchett, que na foto abaixo está demais na pele do cantor.

O longa "I'm Not There" será distribuído pela empresa Weinstein Co. e será lançado até o fim de 2007. Como aconteceu com os Beatles na trilha sonora de "Uma Lição de Amor", vários artistas interpretarão as canções de Dylan para o album do filme.

Para quem prefere um obra não ficcional, vale lembrar que o mestre Martin Scorsese documentou a vida de Robert Allen Zimmerman - nome verdadeiro de Bob - no cultuado "No Direction Home", lançado em DVD no final de 2005.

 

We will rock you

E a notícia que mais me chamou a atenção na semana passada, e que continua repercutindo: Johnny Depp irá interpretar nada menos que Freddie Mercury numa cinebiografia. O dizer sobre isso? Nada, esse dois nomes já dizem tudo. Um dos maiores roqueiros de todos os tempos com o melhor ator dessa geração. O jeito é torcer para que dê certo. Brian May, o guitarrista do Queen, até apóia o projeto, que tem como produtora a Tribeca Productions, do ator Robert DeNiro.

E imaginar que Britney Spears queira ser Janis Joplin no cinema.

Pior: imaginar que a ex-amiga de Britney, a atriz de ocasião Paris Hilton, disse que tinha chance de interpretar Marilyn Monroe.

É... Acontece.

   

In the air tonight

Insônia combina com? Não, não é com Fala que eu te Escuto, e sim com Intercine. Tem de tudo, filmões, trash, drama, soft porn (bem soft)... Mas vá lá, estava eu a zapear quando me deparo com duas figuras incríveis, os senhores Christian Slater e Patrick Dempsey. Qual a importância disso? Nenhuma, só que fiquei espantado de ver dois ilustres desaparecidos num filme só.

O primeiro, o homem que entrevistou o vampiro, se afundou nas drogas e hoje faz continuações obscuras como "O Homem Sem Sombra 2" (sim, isso existe). O segundo, o rei das comédias adolescentes dos anos 80, reaparece de vez em quando em papéis secundários como em "Pânico 3" e "Doce Lar", mas nada que lembre os tempos de glória em que era o "Loverboy".

Ah sim, o filme que reúne "os garotos" se chama "Império do Crime", é de 1991 e conta a história da ascensão de um jovem no mundo da máfia. Pois é, não é nenhum "Os Bons Companheiros", muito menos um "O Poderoso Chefão", mas não chateia. Além de ter no elenco Anthony Quinn, F. Murray Abraham e a bela (e sumida) Lara Flynn Boyle.

Comentando e fazendo número

Feitas as devidas apresentações (devidas? Amanhã pensarei: "podia ter incrementado mais aquela primeira mensagem"), farei dois comentários para dizer que já publiquei mais de uma mensagem.

Comentário 1. Janeiro, início de ano, próximo dia 20 é meu aniversário (só pra lembrar). E dentre as estréias previstas para esse mês, algumas estão me fazendo ficar ansioso:

  A Menina e o Porquinho - Clássico da literatura infantil, já tem uma versão em desenho que é bem divertida, apesar de um pouco datada, e agora vem em versão live action com a incrível Dakota Fanning. Promete. Estréia dia 05.


  Uma Noite no Museu - Ben Stiller + Robin Williams + efeitos visuais, numa história no melhor estilo "Jumanji". Pode não ser original, mas quem viu o trailer sabe que essa aventura promete. Estréia em 12/01.


  Diamante de Sangue - o elenco chama a atenção, Leonardo DiCaprio, Djimon Hounsou e Jennifer Connelly (linda, pra variar). Todos talentosos e nas mãos do diretor Edward Zwick (de "O Último Samurai"). Estréia dia 05.


  O Tigre e a Neve - Roberto Benigni desagradou muita gente com "A Vida é Bela", mas não se pode negar que ele tem uma visão original. Desta vez, ele fala sobre o conflito no Iraque. O resultado, dizem, é belíssimo. É esperar pra ver, dia 12.


  Babel - Alejandro Gonzáles Iñárritu é uma das maiores revelações do cinema nos últimos anos. Com esse filme ele levou o prêmio de melhor diretor em Cannes e promete ser um dos papões do Oscar. O cara é bom. Estréia em 19/01.


  Apocalypto - O cara pode ser bebum e católico em exagero, mas Mel Gibson é peitudo. Depois do gráfico "A Paixão de Cristo", ele dirige um filme sobre a colonização da América espanhola, com muito mistério nas filmagens e um trailer com uma imagem sua, barbudo, inserida quase que subliminarmente. Dia 26 conferimos.


Comentário 2. Dia 15 de janeiro serão entregues as estatuetas do 64º Globo de Ouro. E só pra que fique registrado, esse ano penso que Martin Scorsese só perde o prêmio de Melhor Diretor para Alejandro Gonzáles Iñárritu. E que os filmes de ambos ("Os Infiltrados" e "Babel", respectivamente) são os franco favoritos, não dá mais ninguém.

Mas isso é na categoria Melhor Filme de Drama. Entre Comédias e Musicais, se "Dreamgirls" não levar, "Pequena Miss Sunshine" sai vencedor. Os outros indicados, "Borat", "O Diabo Veste Prada" e "Obrigado por Fumar", têm poucas chances. O primeiro é uma comédia anárquica que brinca com os costumes americanos; o segundo tem duas ótimas atrizes, mas um roteiro mediano; e o terceiro tem um humor ácido demais.

Também torço muito para que "O Labirinto do Fauno" ganhe o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira. Guillermo Del Toro foi incontestável nessa fábula triste. Assim como espero que "Happy Feet: O Pingüim", vença na categoria Melhor Animação. "Carros" foi uma pequena decepção.

E para acabar esse post enorme, alguém me explica o que a trilha sonora de "O Código Da Vinci" faz em meio a indicados como "Fonte da Vida", para Melhor Trilha Sonora?

Então, é isso.

Chegando...

Olá galera!

Meu nome é Vinícius Lemos, direto do Triângulo Mineiro, mais exatamente da cidade de Uberlândia, e aqui nasce mais um espaço para se falar de cinema! O Cinefilia.

Sou, como vocês, um amante dessa forma de expressão (e faturamento) e, como muitos outros, entrei numa sala de cinema pela primeira vez para ver um filme d'Os Trapalhões: "A Princesa Xuxa e Os Trapalhões". O mais interessante é que esse longa (bem xaropinho, é verdade) tem como uma das protagonistas a "rainha dos baixinhos", Maria da Graça Meneghel. Outra grande iniciadora de crianças no cinema. E olha que isso não foi uma referência ao obscuro "Amor Estranho Amor", de 1982.

Pois bem, aqui publicarei notícias, críticas, brincadeiras e qualquer outra curiosidade que a internet proporcionar. Enfim, para terminar naquele clichê: Cinefilia, um espaço de quem gosta de cinema, para quem gosta de cinema. Deixando claro que isso não é um slogan.



Para iniciar "bem" o blog, clique aqui para ver o perfil, no orkut, de Marcelo Ribeiro, o garoto que deu uns apertões em Xuxa, literalmente, no filme de Walter Khouri.

Fonte: http://oshumanosdoorkut.blogspot.com

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