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Vi aqui
Dessa vez a irmã acertou na escolha.
"O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Roberto Ford"* (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 2007). De Andrew Dominik
Filmes perturbadores sempre tratam de temas psicológicos, no caso desse filme, torna-se um drama maiúsculo com atuações impecáveis e um roteiro que procura os recantos mais estranhos da mente uma celebridade do crime. Brad Pitt de novo prova que quando escolhe um filme bom de verdade pode ser seu pilar de sustentação. Tarefa, aqui, dividida com Casey Affleck e, em menor grau, Sam Rockwell. No final de quase três horas de história contada em ritmo lento e profundo, "Jesse James" não só brindou nossa vista com uma fotografia soberba, como nos pôs em meio a um conflito de mentes perturbadas, cujo desfecho é trágico. Nota: 8,5
* Filme visto pela primeira vez

No mundo das Histórias em Quadrinhos, “Watchmen” e “X-Men” podem ser considerados dois exemplos de como o mundo real se tornou cada vez mais importante no momento de avaliar um bom enredo nas páginas com balões e onomatopéias. Frank Miller, Alan Moore e Stan Lee se destacam no meio com seus personagens fantásticos que sofrem com problemas absolutamente mundanos. Com a onda de adaptações de HQ’s para o cinema, não é de se estranhar que logo surgisse um desses seres extraordinários direto nas telas.
Hancock (Idem, EUA, 2008) pode ser considerado o primeiro levado à sério. Porém, ao contrário do que papas dos quadrinhos fazem, empurrando suas revistas cada vez mais à frente na ousadia, Hollywood tem medo de vanguardas e o herói dado a Will Smith saiu de um roteiro mau para uma dramédia minimamente profunda.
Concebido há cerca de 15 anos por Vincent Ngo, John Hancock, no tratamento original do script, é um ser solitário, cansado da sina de salvamentos sem qualquer retorno emocional satisfatório, que resolve jogar tudo pro alto e acabar com a vida de um casal aleatório. Ou seja, a discussão sobre o que os heróis representariam para a sociedade, sua “nobre obrigação” de manter a segurança e a ordem, enquanto sua vida pessoal fica em segundo plano seria subvertida e posta à prova – seria a tarefa da vida desses super-homens trabalhar pela nossa segurança?

Porém era de se esperar que algo do gênero não chegasse aos cinemas pelas mãos de um grande estúdio. Assim, “Hancock” se transformou num filme de ação, com boas piadas e uma drama clichê. OK, a acusação de falta de peito por parte do produtor Akira Goldsman – o roteirista das besteiras “Batman & Robin” e “O Código Da Vinci” – contudo não faz do longa-metragem de Peter Berg algo a ser desprezado. Se na proposta inicial as coisas soariam pra lá de obscuras, como produto de consumo massivo o protagonista se tornou um Superman bêbado, digno de risos pelo auto-desleixo, com final piegas moderadamente interessante. Sendo mais direto, vale o ingresso desde que você entre na onda proposta pela película.
Outra coisa que chama a atenção são as escolhas de Will Smith em seus dois últimos projetos. Tanto “Hancock” quanto “Eu Sou a Lenda” foram criticados pela sua falta de arrojo, embarcando em projetos de riscos calculados. Seria a hora de pôr a cara a tapa de uma forma mais ferrenha? Sendo o maior astro do momento é possível considerá-lo até mais corajoso que gente como Tom Cruise ou Tom Hanks, que ocupam lugar de mesmo prestígio. Agora, é bem verdade que dificilmente alguém mostrará ter colhões como Mel Gibson e arriscar sua carreira em projetos de atrevimento ímpar – e detalhe: com retornos positivos proporcionais.
Nota: 8

Comentários de Última Hora: há uma cena digna do roteiro original finalizada mas cortada da versão de "Hancock" que foi aos cinemas. Nela, o herói transa com uma fã e a joga pelos ares durante sua ejaculação. Será que a veremos como extra no DVD?
Para se ter uma boa cena musical, um filme tem de trazer clima, tocar o espectador com todas as emoções que aquela seqüência quer passar. É nesse sentido que trago mais um Trilha - depois de meses!
Se no ano passado houve um filme que soube fazer de sua trilha sonora uma artifício para criar aura, ele foi "Juno". Ivan Reitman e Diablo Cody juntaram músicas de grupos indie como Belle & Sebastian e Cat Power e dosaram-nas em sua película de maneira a ser mais um personagem na história, que envolve drama familiar, comédia e muita cultura pop.
Foi assim que a lindinha Ellen Page deu vida a um personagem incrível - com atuação idem - e ainda contou com a simplicidade de Michael Cera para, no final do longa eternizarem a canção "Anyone Else But You", do Moldy Peaches - um dos preferidos de Ellen. É assim, com clima de amor adolescente, com tudo que há de engraçado, bestinha e eternecedor nele, que deixo vocês com mais um Trilha.
Mais um (mal) escolhido pela irmã.
"Eu Sei Quem me Matou"* (I Know Who Killed Me, 2007). De Chris Sivertson
Taí um filme que logo, logo alguém vai ver no Supercine. Tem aquele jeitão pedante e mal-acabado das produções que a Globo tanto ama passar nas noites de sábado. Mas não dá pra negar que é um longa que aposta alto, mesmo sem qualquer cacife para tal. O caldo todo tem estilo, a história poderia até render alguma coisa se fosse mais lapidada (bem mais), enquano Lindsay Lohan convence nas cenas de pole dance (mas praticamente só ali). O problema é que a coisa corre frouxa, a direção se preocupa com detalhes e no essencial parece não estar nem aí, LiLo está sexy como nunca, porém só dança, não atua, e quando as coisas começam a querer ser interessantes vem uma cena constrangedora (elas são muitas) para jogar tudo no lixo. Nota: 5
* Filme visto pela primeira vez
Michel Gondry ("Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças") será arroz de festa nessa seção do Cinefilia, afinal, o cara é diretor de clipes magistrais de gente como Rolling Stones, Björk e Paul McCartney. Mas para sua estréia aqui, mando um outro grande parceiro do diretor, os Chemical Brothers, no single de 2002, "Star Guitar".
No video, Gondry faz imagem do som, mas não daquelas psicodélicas que os tocadores de som de computadores costumam trazer. Ao invés disso, ele põe objetos em cena representando as batidas da ótima música da dupla do Reino Unido, através da janela de um trem em movimento. Só vendo para entender a genialidade da coisa. Então, o melhor a fazer é apertar o play!
Mulder e Scully se reúnem no Cinema e Vídeo.
Começando a rever minhas novas aquisições da DVDteca.
"O Último dos Moicanos" (The Last of the Mohicans, 1992). De Michael Mann
Épico daqueles classudos, bonitos, com muita paixão e uma guerra para desequilibrar as coisas e pôr a história relativamente simples para frente. Direção de Mann a parte, alguns problemas técnicos - uma cachoeira mal filmada, uma pedra falsa exposta - tiram a atenção da história em si, porém contrabalancedos por batalhas coreografadas milimetricamente, trilha sonora fabulosa e atores muito bem em cena. Nota: 8

De cara é bom responder à pergunta que mais se faz quando uma continuação chega aos cinemas: “É melhor que o original?”. No caso de “Arquivo X – Eu Quero Acreditar” (The X Files – I Want to Believe, EUA/Canadá, 2008) a resposta não é tão simples, mas para resumir o assunto pode-se dizer que ele está no mesmo nível de seu predecessor, de 1998. Contudo, ambos estão abaixo do que a série já trouxe às telinhas.
A mitologia na qual o programa se tornou durante seus nove anos, ainda não ganhou um representante à altura nos cinemas, o que não quer dizer que ao entrar na sala para uma sessão dessa segunda incursão da série na grande tela você acompanhará um filme ruim. A mente por trás dos mistérios de “Arquivo X”, Chris Carter, dessa vez assume tanto roteiro quanto direção e se sai com uma história misteriosa na medida e fantástica o bastante para fazer os “X-ers” se sentirem satisfeitos.
Há anos afastados do FBI, após o fechamento do braço que investigava os casos inexplicáveis com os quais o bureau se deparava, Fox Mulder e Dana Scully se reencontram devido ao sumiço de uma agente da polícia federal norte-americana. Eles entram meio de gaiato na busca de uma ligação entre o caso e Padre Joseph Crissman, um condenado por pedofilia que diz ter visões com o sumiço daquela mulher.

Crescendo nos momentos drama, particularmente os do casal de protagonistas, “Eu Quero Acreditar” ainda propõe discutir fé e ciência de sob o foco das relações humanas, decisão inteligente de Carter, uma vez que evita reabrir toda a discussão da série a respeito de conspirações alienígenas sem deixar de citar o passado dos personagens e levar em conta seus demônios.
O que não garante a angariação de novo público ao “universo X”. A história em si, mesmo com toda a qualidade de suas discussões, não propõe algo verdadeiramente novo ou que rivalize com todos os apelos de um “Lost”, por exemplo. O típico produto consumido pela geração que na década de 1990 ainda nem tinha noção do significado de termos como abdução, híbridos ou canceroso – se você é fã vai saber a conexão dessas três palavras.
Sendo parte de um todo, “Arquivo X – Eu Quero Acreditar” pode se mostrar bem mais interessante do que realmente é, ao envolver nostalgia, respeito e paixão. Sozinho, é um bom thriller, com suas limitações e erros, mas várias qualidades.
Nota: 8

O site Slate.com trouxe na segunda-feira um artigo que discute a evolução das cenas de luta no cinema. Além disso, faz um painel com 10 das lutas mais interessantes levadas às telas nos últimos 50 anos. Eles vão de "Da Terra Nasce os Homens" (1958) a "Senhores do Crime" (2007), passando por "O Vôo do Dragão" (1972) e "Batman Begins" (2005), cuja continuação, "O Cavaleiro das Trevas", inspirou o texto. Clique aqui para ler o texto e aqui para ver os vídeos das pancadarias.
Na lista acima falta, no entanto, aquele que pode ser considerado o canto do cisne quando o assunto é porrada: "Clube da Luta". Então aqui vai uma das esmagadoras cenas (sem trocadilho) do longa de David Fincher.
Em filmes escolhidos pela minha irmã, curti dois em casa.
"Jogos Mortais IV"* (Saw IV, 2007). De Darren Lynn Bousman
Mantendo a mesma veia sádica de sempre, os mesmos jogos engenhosos de sempre e o roteiro inconstante de sempre - mas piorado a partir do segundo capítulo -, a saga do assassino serial Jigsaw prova que seu fôlego já foi para o saco há muito tempo. Mataram o protagonista no filme anterior e nem assim ele descansa em paz. John Kramer ainda assombra àqueles que não sabem a dádiva que sua vida é, porém, aqui, o roteiro é absurdamente confuso e cheio de furos como numa colcha gasta. O mesmo adjetivo pode ser usado para a franquia, contudo um quinto filme vem por aí. Nota: 5,5
"Ratatouille" (Idem, 2007). De Brad Bird
Só o recente "Wall-E" conseguiu chegar perto da graciosidade dessa animação que levou o Oscar da categoria esse ano. A história do ratinho cozinheiro não traz mensagens cebeça como no filme do robô solitário, mas de acordo com os preceitos defendidos durante toda a sua exibição, sabe emocionar e fazer rir, enquanto se vale de imagens belíssimas, sejam da idolatrada Paris, sejam dos pratos incríveis que despertam a fome de qualquer um! Nota: 9
* Filme visto pela primeira vez
No que poderia ser só mais uma armação do Coringa, muita gente viu com surpresa "Batman - O Cavaleiro das Trevas" alcançar, em menos de uma semana, o primeiro lugar no Top 250 do site IMDb.com, maior banco de dados sobre cinema da Internet.
Esse blogueiro que vos escreve percebeu isso na quarta-feira (23) enquanto buscava algumas informações sobre o novo longa-metragem do Homem-Morcego. Tomado o primeiro susto, esperei alguns dias para ver se não era apenas uma comoção inicial de fãs do personagem e também do finado ator Heath Ledger. Não que hoje essa posição possa ser considerada consolidada, mas no próprio site há uma discussão ocorrendo sobre o fato.
"O Cavaleiro das Trevas" deixou para trás películas de peso como "Um Sonho de Liberdade", "O Poderoso Chefão I e II" e "Três Homens em Conflito", exemplos que vinham disputando as primeiras cinco colocações há um bom tempo. Na página do Top 250 há a fórmula usada pelos responsáveis do IMDb, a qual não leva em conta só a nota data pelos usuários - outras variáveis são um número mínimo de votos para entrar no ranking e quantas avaliações individuais a produção conseguiu.
Acompanho o site há uns dois anos e meio e nunca vi algo do tipo acontecer. O filme mais próximo dessa marca foi "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei", em 2003, mas que hoje ocupa a 14º colocação. "Wall-E" foi outro que surpreendeu, mas um mês depois de sua estréia ocupa o 25º lugar na lista.
A nota média conseguida pelo filme de Christopher Nolan é 9,3 - dois décimos a mais que o segundo e terceiro colocados.


Tire a máscara de orelhas pontudas e a capa: Batman se torna apenas um ser perturbado com desejo de vingança em relação à criminalidade que assola sua cidade. Agora no processo inverso, colocando toda a fantasia mais a tecnologia de ponta disponível para a maior conta bancária de Gotham, tem-se uma “inspiração” para que tipos igualmente estranhos venham a bater de frente ao dito herói. Em “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, EUA, 2008) esses dois pólos colidem-se e passam por questionamento todo o tempo.
O roteiro do também diretor Christopher Nolan e seu irmão Jonathan, a partir do argumento de David S. Goyer, finca tão bem os pés no tangível, que seria possível até mesmo pôr em cheque o fato de um homem vestir uma fantasia para fazer justiça. Contudo, da forma como as coisas são montadas e a base dada pelo antecessor, “Batman Begins”, certo grau de desajuste é deixado claro na figura do herói, muito além, por exemplo, do simples fato de esconder sua verdadeira identidade por trás da máscara. O Homem-Morcego não é um herói bacana como Peter Parker, sua figura é muito mais pesada, ele escolheu ser uma sombra muito mais densa que a “maldição” de Hulk. É um herói que não ganha super-poderes em um acidente qualquer, mas que perdeu os pais quando ainda era criança pelo crime que pretende combater.
Por tudo isso, suas atitudes são mais radicais, o que lhe contrapõe não só com o submundo, mas também com aqueles que estão do lado da Lei. Caso do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), homem absolutamente incorruptível, o qual pretende botar a máfia de Gotham atrás das grades, sempre à luz do que dita um código penal. Bruce Wayne (Christian Bale) vê nele a pessoa que Batman não pode ser, com o respaldo que a sociedade não lhe dá quando veste sua capa. Será o trabalho conjunto entre eles, reforçado pelo Tenente Gordon (Gary Oldman) e Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal), que irá despertar a fúria dos principais criminosos da cidade e dará a brecha necessária para o surgimento de um novo tipo de vilão.

Esse tipo é o antológico Coringa criado em “O Cavaleiro das Trevas”. Ele não é um criminoso comum, a maquiagem em seu rosto prova isso, seus métodos são muito mais ardilosos que os de qualquer mafioso truculento e sua motivação é algo a ser discutido durante horas apenas para descobrir que não há um resposta para o simples “porquê?”. “Esta cidade precisa de uma classe melhor de criminosos, e eu vou dar a ela”, ele apunhala. A atuação criticamente insana de Heath Ledger faz do personagem ainda mais maligno, mais ameaçador. Redundante dizer que esta é a performance de sua vida, findada em janeiro desse ano. É incrível como ele desaparece no Coringa, e não se trata da tinta branca em sua cara, mas de suas cicatrizes, dos trejeitos, da voz anasalada, na tensão que transmite, no caos milimetricamente pensado por ele. Realmente não é à toa a precoce campanha pró-Oscar a Ledger.
Num jogo em que tragédia, heroísmo e loucura se misturam criando áreas cinza sobre si, não há vilões absolutos que não encontrem reflexos naqueles que, em tese, estariam no lado oposto ao seu. Da mesma forma que o conceito de herói só é absoluto a partir do momento em que verdades são escondidas ou mentiras, criadas. Quando Coringa diz a Batman que eles se completam, fecha o conceito criado em mais de duas horas de um filme mau, porém, esperançoso. Tão contraditório quanto dar a sociedade um herói empurrado à insanidade e que comete crimes em nome do bem.
Nota: 9,5

O robô complexo da Pixar também vai ao Cinema e Vídeo.
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