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Tim Burton em moldura

Um dos caras mais legais em Hollywood vai ganhar uma exposição no Museu de Arte Moderna em Nova York: Tim Burton. Lá serão expostos seus primeiros trabalhos em desenhos, além de esculturas que retratam personagens de seus filmes e, claro, eles próprios, os longas que deram fama e fãs a Burton. No site do MoMA, será possível conferir um pouco do mundo do cineasta. Clique aqui.

Abaixo você vêo spot para a exposição.

Olha o Bolo!

Hoje Martin Scorsese completa 67 anos. O cineasta já foi tema de um Especial que fiz para o programa Tudo a Ver Uberlândia em abril desse ano, quando uma Mostra foi realizada na cidade em homanegem a ele. Por isso resolvi partilhar esse momento com vocês (sem perguntar se queremRiso). No Especial falo um pouco da carreira dele e entevisto Paulo Torres, o organizador da Mostra e um cinéfilo com muito conhecimento.

Aproveito e já deixo os Parabéns a Scorsese, um dos maiores diretores americanos de todos os tempos - até parece que ele lê esse blog...

Resumo da Semana (9 a 15 nov)

 Minority Report - A Nova Lei (Minority Report, 2002). De Steven Spielberg

Logo após o incompreendido A.I. - Inteligência Artificial, Spielberg insistiu na ficção científica e continuou muito bem. Só que dessa vez fez mais cinemão e não cutucou demais o cérebro de alguns, voltando a receber boas críticas da maioria. De qualquer maneira, Minority Report é muito eficiente ao criar um mundo no qual os assassinatos são previstos e a polícia tem o trabalho de impedí-los. Poderia se transformar num filme de ação qualquer, contudo há reflexões sobre a falta de privacidade em nome da segurança e a respeito da ética - como prender alguém que ainda não cometeu crime algum? Também poderia ser uma obra-prima caso seu terceiro ato não quisesse redimir o protagonista (vivido com vigor por Tom Cruise). Se fosse mais ousado e mau, a exemplo de A.I., Spielberg se tornaria um raio que caiu certeiramente no mesmo ponto. Foi quase. Nota: 8,5

 Halloween - O Início* (Halloween, 2007). De Rob Zombie

Rob Zombie é um cara que sabe onde está mexendo quando o assunto é terror. Já tinha dois ótimos longas quando embarcou na refilmagem desse clássico de John Carpenter. A boa notícia é que ele conseguiu imprimir sua identidade no filme, incluindo a ótima trilha sonora e os personagens de boca suja. A má notícia é que depois de estabelecidas as bases, Halloween - O Início se torna apenas mais um slasher movie sem qualquer diferença das inúmeras continuações da franquia. Pena, uma vez que Zombie cria um primeiro ato forte, mostrando a infância conturbada do assassino Michael Myers e suas primeiras mortes. A partir daí, entretanto, nada além de perseguições, esfaqueamentos, sexo e sustos. Fãs do gênero podem vibrar, mas não dá pra dizer que exista um clássico aqui, como o criado há mais de três décadas por Carpenter. Duas sequências se destacam aí: Myers tentando tirar a mocinha do telhado, destruindo o forro da casa tensa e violentamente com um pedaço de madeira, e a cena que fecha a história, no melhor estilo perturbadora com gritos de horror. Dá pra gostar, apesar da falta de novidades. Nota: 7

* Filme visto pela primeira vez

Crítica: Distrito 9

Pense bem e responda, quantas ficções científicas de peso surgiram nos últimos 10 anos? Seja sincero e vai perceber que de 1999 para cá, apenas Matrix causou alguma comoção real e não apenas uma ou outra promessa que não passou de poucos elogios fáceis. Pois o final dessa década também tem seu próprio produto de discussão: Distrito 9 (District 9, EUA/Nova Zelândia, 2009).

 

De acordo com o manual das boas ficções, não basta ser espacial ou ter tecnologia de ponta, tem que tratar da psiquê humana, falar do homem indo além dele, analisando-o  por outro ângulo que não seja o seu. Pois D-9 fala de tudo isso e, incrivelmente, consegue ser um filme palatável para as grandes platéias – alguém ainda voltou a lembrar de Matrix?

 

Tudo bem que na última década houve sim filmes corajosos, que propuseram temas espinhosos, a exemplo de A.I. – Inteligência Artificial, porém a película que uniu Steven Spielberg e as idéias de Stanley Kubrick passou muito longe da unanimidade, mesmo sendo um filmaço. Acabou no limbo. De onde a nova produção de Peter Jackson, com direção do novato Neil Blomkamp, consegue escapar ao misturar crítica social, extraterrestres, ótimos efeitos visuais e identidade.

A crítica social surge quando uma nave alienígena simplesmente pára sobre Joanesburgo, na África do Sul, num evento sem precedentes na humanidade. Lá dentro, cerca 1 milhão de extraterrestres estão doentes e famintos, não oferecendo qualquer hostilidade aos humanos. Dali eles são retirados e postos num campo para que possam, ao mesmo tempo, serem estudados e tratados. O problema é que depois de anos vivendo ali, o campo que abriga os ET’s se transforma numa verdadeira favela, violenta e segregada pelos vizinhos humanos, os quais não estão contentes com a presença interplanetária.

 

Claramente inspirado pelo que viveu durante os anos do Apartheid – ainda que negue! -, o sul-africano Bolomkamp criou o projeto baseado num curta-metragem que filmou anos atrás e pelo qual foi muito elogiado. Tanto que iria pilotar a adaptar o jogo Halo para os cinemas, o que acabou não vingando. Entretanto, o mundo dos blockbusters tem dessas, ele saiu da adaptação e acabou filmando um dos longas mais ambiciosos de 2009. Se deu muito bem ao imprimir um tom documental a D-9 e, aos poucos, tomando a narrativa em sua mão para criar um terço final apoteótico, no qual a ação é a dona da cena sem se esquecer do que construiu até aquele ponto.

 

Aliás, se tudo vai tão bem, muito é por conta da atuação e do background dado ao protagonista Wikus Van De Merwe, vivido com naturalidade por Sharlto Copley, ator não profissional. Ele é um fraco, que só está onde está na chamada União Multinacional – analogia direta a ONU – por se o genro do chefe da organização. Idiota e presunçoso, ele se torna quase uma figura trágica durante a trama e nem assim é capaz de mostrar certo altruísmo num momento culminante da história. Um verdadeiro símbolo do egoísmo da raça humana.

 

Há filmes que você acaba de ver e o máximo que consegue dizer é “Legal!”, mas sem como se aprofundar no que lhe foi posto. Tente fazer isso com Distrito 9.

 

Nota: 9

Resumo da Semana (2 a 8 nov)

 Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto* (Before the Devil Knows You're Dead, 2007). De Sidney Lumet

Apesar do título curioso e do tema (assalto que dá errado) apontarem para uma trama cheia de adrenalina, o veteraníssimo Sidney Lumet (hoje com 85 anos) cria um drama familiar pungente e mau, além de desenvolver seus personagens no limiar do perdão e da culpa máxima. Com muita ajuda de seus protagonistas, claro, Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke. Eles são os irmão que planejam um assalato desastroso à joalheria da família. Cada um tem seus motivos: o perdedor vivido por Hawke realmente precisa de dinheiro, já o amargo Seymour Hoffman finge que quer o vil metal, quando na realidade pretende se vingar do pai distante. Enquanto isso, ambos tentam dar um jeito em seus relacionamentos, atuais e passados. Apesar do filme destinar espaço menor a seus coadjuvantes, vale lembrar da ótima atuação de Albert Finney, dono de uma das cenas que mais incomodam no filmelonga, e olha que a produção tem várias. Já Marisa Tomei está linda, mas só. Enfim, trabalho que ainda conta com uma história quebrada, cheia de avanços e retrocessos, que criam tensão e expectativa para um final angustiante. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

Crítica: Bastardos Inglórios

“Sabe de uma coisa, Utivich? Eu acho que essa deve ser minha obra-prima”. A fala é do Ten. Aldo Raine, num dos papeis da vida de Brad Pitt, mas, como já virou lenda, é a expressão do próprio Quentin Taranino sobre seu Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009, EUA/Alemanha). Pode não ser a verdade, mas depois de anos dizendo que iria fazer o tal filme de guerra, muita gente ficou de boca aberta quando a tela escureceu após a frase acima.

 

Antes de qualquer coisa é preciso deixar uma coisa clara: não, esse não o longa da vida de Tarantino, que ainda tem em Pulp Fiction sua melhor forma. Contudo, o diretor autodidata se sai incrivelmente bem nessa fita que mistura violência, nazistas, drama e (muita) comédia. Fruto de um roteiro que só não é melhor porque se estende demais em alguns momentos, como no bar repleto de nazistas no qual uma agente dupla encontra com americanos. Menos tempo gasto com o jogo talvez deixasse a cena mais dinâmica.

 

Puro excesso de zelo por parte de Tarantino na construção de toda a cena. Algo que se reflete positivamente na inacreditável abertura da produção. “Era uma vez, numa França ocupada por nazistas...” O “conto” inicia-se com a chegada do Cel. Hans Landa (Christoph Waltz) à procura da última família judia na região da fazenda do senhor LaPadite. Educado e meticuloso ao extremo, Landa envolve o anfitrião de uma maneira que, mesmo quando não acontece nada, a tensão fica insuportável em alguns momentos. Toda a seqüência é cadenciada, sem pressa, feita diálogo por diálogo. Até a mudança de idioma a certa altura tem sua razão de ser. Se Bastardos Inglórios como um todo não é o supra-sumo de Tarantino (quase é), essa cena em particular, já se tornou o melhor de sua direção e roteiro até hoje.

Apesar do longa ter sido vendido como uma vingança desenfreada, no qual um grupo de 9 soldados espalhariam o terror entre nazistas, a produção vai muito além disso, costurando tramas paralelas, além do pelotão de Ten. Aldo Raine. Há a sobrevivente do massacre promovido por Landa e também a equipe aliada infiltrada por meio de uma atriz alemã informante. Todos eles contra Hitler e companhia.

 

E se Tarantino está em ótima forma, seu elenco não fica atrás, muitos deles estão sublimes, diga-se de passagem. O caso de Christoph Waltz é o mais evidente, pois numa história de levante contra os nazistas, ele, um soldado da SS, é quem rouba a atenção toda vez que está em cena. E olha que o páreo é duro. Brad Pitt, cheio de maneirismos e bochechas à Marlon Brando em O Poderoso Chefão, tem cenas simplesmente hilárias, ao mesmo tempo cruéis. Se no ano passado ele foi o sofrido Benjamin Button, agora mostra versatilidade como um brucutu um tanto esperto e outro tanto tapado. E o que dizer de Diane Kruger? A Helena de Tróia, destaque até hoje apenas pela beleza, mostra uma espontaneidade absurda como a sorrateira Bridget von Hammersmark, de longe seu trabalho mais significativo.  Já Mélanie Laurent, que só havia trabalhado no cinema francês, encarna com charme e amargura a sofrida Shosanna.

 

É no cinema dela que a trama convergirá de uma maneira absolutamente inesperada. Quando alguém disser que o final de Bastardos Inglórios é algo que você nunca viu antes, pode ter certeza: dessa vez não será conversa para boi dormir. O próprio diretor disse que se vingou da história. Bom, é Tarantino, ou seja, pode-se esperar de tudo, até mesmo um tema western ou David Bowie pontuando uma história sobre a 2ª Guerra Mundial. Nem mesmo ele deixando de lado muitos de seus cacoetes, quando Pitt entoa que essa deve sua minha obra-prima, você tem a certeza de que viu algo desse gênio reciclador de gêneros.

 

Nota: 8,5

Posteridade

O Posteridade reúne (sem muito critério de frequência, é verdade) os melhores pôsteres que encontro na Internet, independentemente da idade do filme ou se é apenas algo bastante original que vi por aí.

Pois originalidade é o que não faltou a um designer gráfico na criação dos cartazes que você encontra clicando aqui. Ele apresenta versões tão difrentes dos oficiais que senti uma grande dificuldade em escolher um para ilustrar o Posteridade da vez. Mas depois de tanta dúvida entre verdadeiras obras-primas como o de A Mosca ou 8 1/2, radicalizei e fui no que me pareceu menos óbvio.

E com muito estilo que estampo o pôster alternativo para A Hora do Espanto. À primeira vista você pode não dar nada para o cartaz do filme de terror adolescente dos anos 80 (talvez nem para o longa você dê muita bola), todavia, se você olhar direitinho vai descobrir uma surpresinha em segundo plano, num vermelho pouco brilhante. Ótima jogada desse designer que não consegui descobrir quem é. De qualquer forma, um verdadeiro artista.

Mas não deixem de conhecer os outros pôsteres. Tem Alien, O Cavaleiro das Trevas, A Bruxa de Blair, De Volta para o Futuro e mais.

Clipando

Pode parecer falta de assunto, mas na verdade é que eu não queria deixar passar a data. Aliás, as datas. Passamos pelo Halloween e hoje é o Dia de Finados. E acho que a escolha do clipe, apesar de óbvia, ilustra bem as "comemorações".

Pois é com muito orgulho que estampo os quase 14 minutos de "Thriller", de Michael Jackson, que, ao mesmo tempo, já se refere ao assunto do momento: o próprio Rei do Pop.

O video é dirigido por John Landis, o cara que revolucionou os longas de Lobisomens com Um Lobisomen Americano em Londres, criando um verdadeiro conceito em filmes de terrir, aqueles terrores que chegam a botar medo em algum momento, mas que no final das contas gostam mesmo é de fazer rir.

Nem preciso ficar repetindo que o clipe de "Thriller" é, para muitos (me inclua nessa), o marco maior dessa estética, contudo é inegável a genialidade desse verdadeiro curta-metragem blockbuster. Ele trabalha com metalinguagem, várias referências aos clássicos, inverte a própria música para criar clímax e conta com maquiagem exemplar, edição ritimada e, claro, direção e coreografia incontestáveis.

E para que tudo fique devidamente apresentado: menos de uma semana depois, volto com o Clipando, ao som de "Thriller", de Michael Jackson, sob a batuta de John Landis.

Resumo da Semana (26 out a 1º nov)

 Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995). De Richard Linklater

Romântico? Adolescente? Idealizado? Sim, tudo isso e mais um pouco, mas Antes do Amanhecer não é nem um pouco infantil ou bestinha. O longa que começou a história de Jesse e Celine é de uma inteligência raríssima no cinema romântico. Ao mesmo tempo em que narra um tipo de conto de amor moderno, o filme desfila os diálogos mais interessantes em anos dentro da Sétima Arte, indo dos assuntos mais corriqueiros (sexo ou lembranças) até aos papos mais cabeça (filosofia ou religião). Tudo com um final aberto que deixou muita gente se contorcendo de curiosidade sobre o futuro daqueles dois jovens apaixonados. Brilhante. Nota: 8,5

 Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004). De Richard Linklater

Eis que 9 anos depois, Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy resolvem se juntar novamente e dar continuidade ao conto do casal. E vão à frente. Mostram o que aconteceu depois da promessa no final de Antes do Anmanhecer e focam no que o primeiro longa tinha de mais original, os diálogos. Tiram da manga atuações primorosas (mais uma vez), direção incrivelmente direta e econômica, além de deixarem claro o quanto amadureceram durante esses anos. Se no primeiro havia a centelha de um amor juvenil, aqui há as amarguras de de todo esse tempo e uma genuína vontade de apagar esse hiato. Belíssimo filme que ainda termina da maneira mais absurdamente simples no apartamento de Celine. Dá-lhe Nina Simone! Genial. Nota: 9

Clipando

Mark Romanek é um cara com colhões. Trabalhou com Robin Williams no filme Retratos de uma Obsessão, fez o cara atuar como um perturbado solitário - chega a mencionar violencia sexual - e quando foi a hora de bater na porta do mainstream em Hollywood com O Lobisomen, chutou tudo pro alto depois que foi forçado a trabalhar com um orçamento exorbitante. Mas ele tem moral, é um dos diretores de videoclipes mais bem sucedidos, já tendo dirigido para Michael Jackson ("Scream"), Red Hot Chili Peppers ("Don't Stop") e Coldplay ("Speed of Sound").

Mas quando o cara tem coragem de largar uma oportunidade de estourar popularmente para manter sua visão das coisas, só posso lhe reservar o espaço no Clipando (seção para cineastas que põem a mão na massa da música) com um de seus trabalhos mais pancadas. É por isso que trago o clipe de "Closer", do Nine Inch Nails, filmado por Romanek em 1994.

Comentários de Última Hora: "Closer" pode ser ouvida a qualquer hora na rádio Música Cinéfila. Ela é tema do filme Se7en.

Cítica: Up - Altas Aventuras

Depois de encantar meio mundo com os fabulosos Ratatouille e Wall-E, parecia que a Pixar estava pronta para pôr no mundo sua obra máxima. E quando você colocar os olhos nos primeiros 15 minutos de Up – Altas Aventuras (Up, EUA, 2009), a certeza vem com facilidade. Mas a notícia (que não chega a ser) ruim é que o longa não bate os seus irmãos de estúdio.

 

Não que isso faça de Up um filme fraco, muito pelo contrário (mas muito mesmo). O filme é um primor só, pecando aqui e ali por pura vontade de ser o mais eclético possível. Como isso nem sempre funciona bem em projetos com personalidade, as coisas dão uma cambaleada em uns poucos momentos.

 

O caso é que a abertura do longa é simplesmente extraordinária. Contando rapidamente toda a história de vida do casal Carl Fredricksen e Ellie, desde quando se conheceram, ainda crianças, até a morte dela, o filme põe a platéia abaixo em prantos sem fazer muito esforço. Não há como definir a beleza desse início. Aliás, beleza mergulhada num profundo sentimento de melancolia e salpicada de alegria. Entretanto, a perda de sua amada transforma Carl num idoso amargo e solitário, fechado para o mundo.

 

A única coisa que o faz viver, ao que parece, é a promessa de que um dia ele ainda explorará a América do Sul como homenagem a Ellie, desejo que os anos de aperto financeiro e a irremediável morte não os deixaram realizar. Mas eis que após uma briga entre o velho e um funcionário duma construtora (rápida, mas particularmente brutal para esse tipo de produção) se torna o catalisador para que Fredricksen alce, literalmente vôo, pondo sua casa para flutuar por meio de milhares de balões cheios de hélio. Nesse instante, mais uma vez, Up arrepia pela sensibilidade da seqüência

O filme dá sua primeira guinada ao elevar com a casa seu astral. Com a descoberta de um clandestino na viagem, o garotinho Russell, Carl se torna ainda mais rabugento, mas irresistivelmente carismático. É a dinâmica entre os dois personagens de gerações diferentes que dá o tom a partir dali. Isso somado à aventura propriamente dita, algo que torna o longa mais ágil e engraçado.

 

A partir dali, também, o roteiro dá certas derrapadas: de ritmo, ao oscilar demais entre o drama (que nem sempre funciona tão bem) e a histeria, e de verossimilhança ao introduzir cães falantes. Aí você pode questionar: “mas existe uma viagem de balões de festa e você está reclamando de cães engraçadinhos falantes?” A questão é que para tudo existe limite. Os cães soltando o verbo vá lá, mas daí a vê-los pilotando mini-aviões é de amargar.

 

Mas sem neuras. Up ainda tem muitas qualidades para ser ofuscado por uma forçada de barra aqui e ali (a idade de certo personagem que aparece no último terço do filme também preocupa). A produção é emocionante, tem uma bela história para contar, o faz muitíssimo bem e na versão dublada aqui no Brasil, traz um trabalho excepcional de Chico Anysio como Carl Fredricksen. Se não chega ao mesmo patamar de seus antecessores, Up é exemplar naquilo que se propõe: tocar corações.

 

Nota: 8,5 

Comentários de Última Hora: O 3D empregado no longa é um dos mais orgânicos já vistos pela minha pessoa. Nada gratuito.

Resumo da Semana (19 a 25 out)

 Os Vigaristas (Matchstick Men, 2003). De Ridley Scott

Muita gente se assustou com a leveza desse filme à época de seu lançamento. Afinal, ninguém esperava que o cara que havia criado Alien, Gladiador e outros longas do tipo "pra macho" conseguisse levar uma comédia sobre golpista que lida com seu Transtorno Obsessivo Compulsivo enquanto descobre que tem uma filha. O ótimo elenco faz a diferença em uma história que, se não reinventa a roda, é bastante engenhosa. Direção tranquila de Scott e um longa que funciona que é uma beleza. E por falar em beleza, Alison Lohman está apaixonante. Nota: 8

 O Rei Leão (The Lion King, 1994). De Roger Allers e Rob Minkoff

Um clássico absoluto da era de ouro da Disney na década de 1990. Dramático, piadista, debochado e com um quê de Shakespeare, o longa, ainda hoje, na minha opinião, é a obra máxima do estúdio de Mickey e cia. Vai das piadas mais bestinhas ao drama mais completo sem ser forçado ou maniqueista, tem uma beleza plástica gigantesca e texto muito bem trabalhado. Vale cada minuto, para se ver e rever. Nota: 9

Quando nasceu Luxo Jr.

E já que o curta do post anterior tira onda com Luxo Jr., nada mais justo do que trazer o curta-metragem que o apresentou ao mundo. Em 1986, Jonh Lasseter fez isso:

Revolução? Estaria por vir... E pensar que tem gente que até hoje tenta fazer algo dessa qualidade, 23 anos depois...

Luxo Jr de maior!

Ótima paródia com a Luxo Jr., luminária famosa que estampa a logo da Pixar. Crime e castigo!

Resumo das Últimas Semanas

Pessoal estava com o tempo apertadíssimo para escrever aqui no Cinefilia, por isso passei tanto tempo sem atualizá-lo, contudo é hora de voltar à ativa.

 Trilogia Matrix (1999-2003). De Larry e Andy Wachowski

Há 10 anos, Matrix revolucionou o Cinema combinando efeitos especiais incríveis e um balaio gigantesco de referências para criar algo original. A mistura deu muito certo, o longa foi bem recebido por quem queria ver apenas cenas de ação bem acabadas e pelos que conseguiam ler por entre as linhas daquele mundo de filosofia e kung fu criado pelos irmãos Wachowski. Nerds explodiram suas cabeças e pensadores se curvavam para o chamado "cinemão-pipoca". Eis que o filme aparentemente fechado deu origem a duas continuações. Uma pena, pois por mais que fossem ultra bem produzidos, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions deixam para trás a imensa carga multisignificante de seu original e apenas expandem a história de Neo e companhia. Com mais efeitos visuais, mais cenas de ação espetaculares, os longas se definem apenas como uma curiosidade de como tudo irá acabar - e a resposta é: da maneira mais preguiçosa possível. Ainda  é interessante perceber como a pretensão dos diretores/roteiristas inflou com em quatro anos: tanto Matrix quanto Reloaded terminam ao som de um música do grupo Rage Against the Machine, já Revolutions não, na história final do messias Neo é a música instrumental de Don Davis que ilustra seu créditos. Entretanto, as duas sequências podem ser vistas como bons filmes de ação, cheias de estilo e que prendem a atenção. Mas, infelizmente, não passam disso. São filhas menos abastadas do longa que marcou o fim da década de 90.

Notas:
Matrix - 9

Matrix Reloaded - 7,5

Matrix Revolutions - 7,5

 Garotas Selvagens (Wild Things, 1998). De John McNaughton

Taí um filme despretensioso, cujo roteiro é ágil e hábil ao extremo, além de muito sexy. Não é nem interessante ficar falando muito sobre a história. Quer ver? Saiba apenas que Matt Dilon será acusado de abuso sexual, a partir daí será uma reviravolta atrás da outra. O pique do longa é incrível, sem querer ser um novo Hitchcock. Produção para se assistir numa boa e curtir as guinadas que apronta para você. A presença de Denise Richards e Neve Campbell bem à vontade também não atrapalha. Nota: 8

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