Cinefilia - UOL Blog
Resumo da Semana (22 a 28 jun)

O Lutador* (The Wrestler, 2008). De Darren Aronofsky

Dramão em estado bruto de ótimas atuações e direção coesa, O Lutador não quer fazer chorar, não apela para truques baratos e, ao final, mostra que a redenção nem sempre é um caminho. Forte e real, o longa segue de maneira crua a vida solitária e terminal de Randy "The Ram" Robinson, um competidor de luta-livre, no melhor estilo Telecatch, que um dia foi o astro e hoje está em decadência, distante da filha, podendo contar apenas com os antigos amigos de ringue. Um enfarte vai tirá-lo das lutas e mudar sua existência, mas até quando? Emocional, sem ser choroso, carismático ainda que um brucutu, The Ram encontra consolo nos braços da dançarina Cassidy, mesmo que pagando por isso. Quem já assistiu a Réquiem para um Sonho, sabe o quanto Aronofsky consegue ser áspero e, ao mesmo, terno. Aqui não é diferente. Ele também conta com as atuações poderosas e corajosas de Mickey Rourke (Ram), Marisa Tomei (Cassidy) e Evan Rache Wood (Stephanie, filha de Ram). Não espere um clímax para tirar um lencinho da caixa, vá com o coração aberto e descubra as melhores qualidades de O Lutador. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

Ciplando

mais de um ano, criei uma nova seção aqui no Cinefilia, o Clipando, mas até agora não tinha dado prosseguimento a ela. Eis que com a morte de Michael Jackson me veio à cabeça em pôr clipe mais famoso do cara, "Thriller", dirigido John Landis, por aqui. Mas logo em seguida pensei: "Pô, o cara ta recebendo homenagem para todo lado, deixa eu ser mais original e procurar outra coisa para seguir em frente com o Clipando".

Foi aí que me ocorreu Michel Gondry, famoso por filmes como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Rebobine, Por Favor e que tem uma extensa carreira no mundo visual da música. Pois numa pesquisa rápida, descobri uma penca de clipes bacanas que ele dirigiu. Mas um me chamou mais a atenção, "High Head Blues", ótima canção do ótimo Black Crowes, cujo clipe até tenho em meus vídeos favoritos do Orkut, porém não sabia que era uma realização de Gondry.

Pois agora o compartilho com vocês.

Taí! 

Crítica: Transformers – A Vingança dos Derrotados

Há dois anos muita gente se surpreendeu com a chegada de Transformers nos cinemas, adaptação da animação que fez a cabeça da molecada dos anos 80. Principalmente se fosse levada em conta a direção de Michael Bay, notório megalomaníaco que só quer saber de espetáculo, e o material que deu origem ao longa não ser exatamente um obra de arte. Contudo, os efeitos visuais fantásticos, a boa dinâmica entre os atores, com destaque para Shia LaBeouf, e a revelação da sex symbol Megan Fox fizeram do show de explosões algo mais interessante e, claro, um sucesso de bilheteria monumental. 

Eis que numa bruta terça-feira chega aos cinemas de todo o mundo a inevitável continuação Transformers – A Vingança dos Derrotados (Transformers – Reveng of the Fallen, EUA, 2009). Seria fácil dizer que tinha tudo para repetir o sucesso de seu original, afinal, todos os elementos estão lá, dos efeitos aos atores, mas há mais coisas entre uma linha e outra do roteiro desse longa que supõe sua vã filosofia. E não se trata de algo bom. 

Talvez pela pressa de não deixar esfriar a mania maquinaria, talvez para se fazer ainda mais popular ou por puro desleixo mesmo, A Vingança dos Derrotados é muito, mas muito mal escrito pelos senhores Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman. Foram necessários os três cérebros para conceber a seguinte trama: por acaso só agora é revelado que os Transformers estão entre os humanos há milênios, e que, sabe-se lá o motivo, o Lord dos Decepticons resolveu ressurgir – onde ele estaria em 2007? – e para isso, precisa achar o que restou do Cubo de Energon na Terra. Enquanto isso, os Autobots montaram uma linha de defesa com os homens para eliminarem os inimigos robóticos que teimam em fazer arruaça por aqui.

 

Mais óbvio impossível, cabendo ainda a ressurreição de Megatron e a apresentação de um sem número de novos Decepticons. Porém a obviedade não é o pior, uma vez que ninguém esperava entrar num cinema para ver uma revolução na Sétima Arte. É a infantilização exagerada que faz a poltrona ficar desconfortável. Enquanto LaBeouf e Megan têm uma crise no relacionamento e os pais dele parecem ter regredido mentalmente em relação às engraçadas tiradas do longa original, piadas sexuais saídas da cabeça de um moleque de 12 anos vão se amontoando – um robô grudado na perna de Megan é o clímax. Isso e mais uma abordagem mística que transforma os Transformers (com trocadilho) em ETs como os de qualquer outro filme de ficção barato - assim, ninguém mais se impressiona com as complexas máquinas vindas do espaço.

 

E vamos mais longe com os muitos furos na história. A certa altura surge um Decepticon com forma humana, e com ele a pergunta: pra quê tomar forma de carros e aviões? Certamente a infiltração inimiga seria mais fácil se investissem mais em “gente” como Isabel Lucas. Em outro momento, um importante artefato cumpre seu destino, com toda a pompa possível, para três segundos depois ser roubado, como se o roteirista risse e dissesse: “Te enganei!”.

 

Se não fosse pela ação constante, mesmo descerebrada, o bom som e os feitos visuais que continuam irretocáveis – além da beleza de Megan Fox -, Transformers – A Vingança dos Derrotados poderia ser a grande bomba do ano. Todavia, ainda é possível assistir sem a pipoca e o refrigerante amargarem muito.

 

 

Nota: 5,5

Resumo da Semana (15 a 21 de jun)

Semana anterior dedicada a ficar puto com a decisão do STF e discussões em redações. Mas ainda sobrou tempo para os filmes.

Instinto Secreto (Mr. Brooks, 2007). De Bruce A. Evans

Um filme que me surpreendeu de verdade. Não esperava grande coisa de uma produção que trazia Demi Moore e Kevin Costner no elenco, dois atores que andam em baixa há anos. Mas eis que o inteligente roreiro de Raynold Gideon e Bruce A. Evans - também diretor - nos faz entrar na história e querer saber mais da mente do Sr. Brooks, respeitado homem que mata por prazer e sente culpa por isso. Tirando umas besteiras aqui e outras conversinhas fiadas dai - principalmente de Demi -, Costner e Willimm Hurt fazem deste um ótimo suspense. Nota: 8

Quem quer ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008). De Danny Boyle

Sou fã de Danny Boyle, que, na minha opinião, ainda não fez um filme ruim, mas o 'auê' que fizeram em cima desse longa foi um pouco exagerado, ainda mais se olharmos os filmes anteriores do diretor - Trainspotting, Extermínio, etc. De qualquer forma, Quem quer ser um Milionário é um grande filme, de edição ágil e direção esperta e que ainda traz uma mensagem de otimismo em meio a tanta tristeza mostrada na tela. Ótima trilha. Nota: 8,5

Decisão STF derruba obrigatoriedade de Diploma para Jornalistas

Pausa no Cinema. Eu sou Jornalista de formação, diplomado. Algo que estudei e trabalhei para ter em quatro anos de faculdade. Bom, os profissionais da minha área nunca foram muito unidos em relação ao tema Diploma, mas daí já é demais ver a Associação Nacional dos Jornais comemorando a decisão do Supremo Tribunal Federal de acabar com a obrigatoriedade da formação na profissão.

E mais, a decisão de nossos excelentíssimos Ministros do STF só resulta em uma coisa: rebaixamento de uma classe inteira. Ora, se pela constituição pedir o diploma para exercer o Jornalismo vai contra a Liberdade de Expressão, que o “achismo” se espelhe pelas mídias como verdade absoluta, que a técnica ensinada nas faculdades sejam tomadas como aulinhas para pôr no papel o fato ou saber aparecer na frente de uma câmera ou falar direitinho o texto do rádio. Que os assessores que dão conta do serviço de divulgação do trabalho daquelas mesmas pessoas sejam vistos como meros megafones que apenas dão volume ao que os manda-chuvas têm a dizer, sem qualquer planejamento ou estratégia.

Muito bem, nós, Jornalistas, somos como cozinheiros, que podem envenenar quem se alimenta de nossas informações. Talvez um pouco da Ética ensinada nas faculdades pudesse ser o antídoto de todo esse veneno.

Nesse momento, tenho vergonha de minha classe desunida, que olha para o próprio umbigo, se glorifica por poder "falar ao povo e por ele" e ao mesmo tempo é capaz de não ver que atos como esse afastam de si a tão almejada Credibilidade.

“A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade”. Convenhamos senhor Ministro Gilmar Mendes, que infeliz colocação, hein? Que argumento esdrúxulo. Bela decisão essa de sua casa.

Resumo da Semana (8 a 14 jun)

Semana cheia no(s) trabalho(s) me afastou do Cinefilia, o que justifica a falta de atualizações. Prometo votar ao batente, a começar por hoje, com três filmes.

A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984). De Wes Craven

Um filme que vi no auge do meu vício em filmes de terror slashers aos 10 ou 11 anos, que só agora revisito. O que foi muito bom, por sinal, afinal mesmo 25 anos depois de seu lançamento, o longa se mantém bem, apesar de uma escorregada aqui e ali. Terror sanguinário e sacana no melhor estilo, como só Fred Krueger sabe fazer. Nota: 8,5

A Casa Monstro* (Monster House, 2006). De Gil Kenan

Surpreende desde o primeiro minuto, com uma direção muito boa e visual igualmente cuidadoso, A Casa Monstro sabe arrebatar as crianças sem prerder o gosto pelo sombrio. Há muito de adulto no longa, desde a tensão de algumas cenas ou mesmo em diálogos - "É uma úvula? Então essa é uma casa fêmea!" (sic) -, isso sem se esquecer da aventura espetacular que se torna ao final. Estréia primorosa de Kenan, vale ficar de olho nele. Nota: 8,5

Rejeitados pelo Diabo* (The Devil's Rejects, 2005). De Rob Zombie

Tem gente que se assusta com O Albergue ou mesmo Jogos Mortais, tem diretores que os acham bons para adolescentes e fazem terrores para adutos. Rom Zombie mostra que de sujeira e maldade é ele quem entende. Seus personagens de A Casa dos 1000 Corpos voltam num longa sobre vingança e sadismo sem firulas pra deixar garotinhas assustadas, cheio de perversidade e um sarcasmo que faz rir enquanto gente é morta sem qualquer motivo. Minuto a minuto constrói-se um ótimo filme podreira. Trilha sonora recomendável a qualquer amante de rock. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

Resumo da Semana (1 a 7 jun)

Johnny & June (Walk the Line, 2005). De James Mangold

Se Ray foi muito criticado pelo seu maniqueísmo, a história de Johnny Cash segue caminhos parecidos, mas aprofundando em seus personagens, dando uma dimensão maior a essas pessoas reais e seus dramas. Outra grande diferença estão na apresentaçõs musicais, em Johnny & June as ótimas canções do homem de preto são postas em shows muito bem filmados e com um som absurdamente limpo e forte. E se Joaquin Phoenix consegue se aproximar bem do vozeirão de Cash, a lindinha Reese Whitherspoon se mostra muito mais cantora que June Carter, além dos dois saberem captar a alma de seus biografados. Nota: 8

Trilha

Depois de quase 10 meses - dava pra uma criança ter nascido e completado um mês! -, volto com uma das seções que mais curto aqui no Cinefilia, mas que andei relaxado com ela, o Trilha. E se na última vez trouxe o fenômeno das trilhas sonoras Juno, com o Moldy Peaches e sua "Anyone Else But You", dessa vez falo de um filme que, muito provavelmente, deverá voltar uma segunda ou uma terceira vez por aqui, Escola de Rock, de 2003.

No longa, Jack Black é o vadio que ama rock e se disfarça de professor de primário para montar uma banda-mirim. Com a direção afiada de Richard Linklater e um eleno nos cascos, tudo funciona às mil maravilhas na produção, uma grande sacada com os clichês do rock 'n roll, sem fazer chacota com o tema. Faz rir que é uma beleza.

Em termos de música, sua trilha é outro grande acerto, trazendo MetallicA, Ramones, Led Zeppelin e outros medalhões de rock. E nessa passagem por gigantes da música, há uma cena em específico que leva qualquer fã de riffs clássicos ao delírio. Tudo começa quando personagem de Joey Gaydos Jr., o jovem guitarrista Zack, diz que seus pais acham perda de tempo sua vontade de aprender guitarra. É quando o professor Jack Black se revolva contidamente e dá uma lição aos garotos.

E se em todos os Trilha uma música era centro da atenção, dessa vez vamos de "Iron Man", "Smoke on the Water", "Highway to Hell" e "Touch Me", respectivamente de Black Sabbath, Deep Purple, AC/DC e The Doors. Tá bom? Então dê o play abaixo e curta o Trilha da vez!

Resumo da Semana (25 a 31 mai)

Marley & Eu (Marley & Me, 2008). De David Frankel

Enquanto o diretor David Frankel se mostra um ótimo profissional por encomenda - esse é o seu segundo trabalho adaptado de um livro, depois de O Diabo Veste Prada -, a platéia vai aos prantos com a emocionante história de John Grogan (Owen Wilson) e sua família, ao lado do pior cão do mundo, o labrador Marley. Ironicamente, o longa é pra lá de humano com dramas e alegrias comuns a muita gente, algo que toca pela sinceridade e proximidade. As bagunças de Marley, claro, não atrapalham nem um pouco. Nota: 8

O Plano Perfeito* (Inside Man, 2006). De Spike Lee

Um filme que surpreende não pelo roteiro mirabolante, mas pelo foco. Ao invés das reviravotas em si, Spike Lee olha para o confito e a tensão entre assaltante de banco e a polícia de Nova York de maneira geral, principalmente na figura de Denzel Washington, o negociador que tenta tirar os reféns do banco invadido por Clive Owen. O final não é coisa de outro mundo, nem prima por uma inteligência superior, mas ainda assim é eletrizante. Particularmente achei primoroso o último take, em que Washington está no quarto, de costas e em segundo plano, com sua mulher dizendo que "as algemas estão esfriando". A música-tema também é digna de nota. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

A volta do que não foi

Todas as quintas e sextas-feiras eu apresento no programa Tudo a Ver, aqui em Uberlândia pela TV Paranaiba, afiliada Record, as novidades no Cinema, em DVDs e estréias. São comentários e destaques de lançamentos, algo que tenho profundo prazer em fazer e que sempre quis desde quando assistia ao Claquete, quadro com o crítico Celso Sabadin no antigo Dia-a-Dia, na Band. Procuro passar bom humor e informar sem ser didático ou pedante e... Enfim, o que quero falar de verdade é que na última sexta-feira (22 de maio), infelizmente, o Tudo a Ver estava com o tempo estourado e a criança aqui foi limada de última hora - coisas da Televisão, não reclamo -, mas como já estava tudo pronto, resolvi divulgar aqui na Internet.

Pois o vídeo que vocês poderão assistir é justamente esse, em primeiríssima mão - e única, na verdadeBem humorado. Nele comento a única estréia da semana em Uberlândia, Uma Noite no Museu 2.

A edição de imagens é de Renata Araújo, edição final é de Wasthi Lauers, apresentação do quadro e texto é de Vinícius Lemos (sou eu!).

Gostou? Quer ver mais? Clique aqui (perfil de Martin Scorsese) e aqui (novidades nas locadoras). Ou siga o Tudo a Ver às quintas e sextas, a partir das 13h10, para quem estiver aqui em Uberândia, claro.

Resumo da Semana (18 a 24 mai)

 Bolt - Supercão* (Bolt, 2008). De Byron Howard e Chris Williams

Se tem uma coisa que se pode dizer depois da união de vez entre Disney e Pixar é que John Lasseter deu um jeito no estúdio do Mickey em relação aos seus trabahos em CGI. Se Chicken Little foi uma produção pobre em história e acabamento, Bolt já mostra novos caminhos. O filme é ágil e inteligente - mesmo com um problema ou outro de roteiro -, além de contar com ótimos personagens. O hamster Rhino e a gata Mittens roubam a cena e ainda sim o protagonista, com todo o heroísmo e bondade pedidos por esse tipo de produção, consegue ser carismático. Engraçado, o fime peca por querer criar um clímax através duma desnecassária cena de ação e (falso) perigo. Bons ventos sopram para a Disney, agora esperamos a volta de obras-primas dos tempos do 2D. Nota: 7,5

* Filme visto pela primeira vez

Crítica: Anjos e Demônios

O fenômeno O Código Da Vinci pôs o nome do escritor Dan Brown tão alto que qualquer um hoje pode saber quem é esse tal sem qualquer dificuldade. Com uma história talhada aos moldes hollywoodianos em suas páginas, logo a polêmica trama foi adaptada aos cinemas. Num filme medíocre, é verdade, mas que rendeu uma grana preta. O que leva até a Anjos & Demônios (Angels & Demons, EUA, 2009), primeira obra a trazer o protagonista Robert Langdon e que também ganha sua versão celulóide.

 

A diferença é que nas telas, a história se transformou numa continuação direta de O Código, o que já não é um bom sinal, já que dessa vez Langdon não é levado a investigar um caso, mas, sim, contratado pela Igreja Católica com esse fim. Por si só isso já pode ser considerado um absurdo depois de tudo o que ele aprontou no longa anterior, derrubando um dos maiores pilares da Igreja. Mas quem iria se preocupar com tal fato, não é mesmo?

 

Furos a parte, Anjos e Demônios demonstra tentar corrigir os erros passados, mas a equipe liderada pelo cineasta Ron Howard ainda sim peca aqui e ali. E os tais furos são o fato complicador mais uma vez. A história faz um paralelo interessante entre modernidade e clero, e para isso conta como a antimatéria é criada em um acelerador de partícula e de que maneira ela é roubada e usada contra a Igreja como ameaça terrorista. Aí já entra o primeiro escorregão. Para roubar a tal antimatéria, o larápio tem de tirar o olho de um cientista, passar pelo scanner que reconhece a retina e ter acesso a uma sala, e o caso é: o estudioso já está dentro do laboratório, ou seja, não teria como alguém tirar seu globo ocular para entrar na câmara onde se encontra o alvo do assalto.

Entretanto, quem conseguir passar por cima desse tipo deslize, poderá assistir a um filme bem melhor amarrado que seu antecessor, de investigações mais interessantes e que novamente trata de um tema espinhoso: a centenária pendenga entre católicos e Illuminati, um grupo científico perseguido pela Igreja e que aqui quer dar o troco.

 

O ritmo continua acelerado e leva Robert Langdon - novamente vivido por Tom Hanks - numa briga contra o tempo, enquanto cardeais são assassinados e um novo Papa tem de ser escolhido. E mesmo com a pressa do roteiro de Akiva Goldsman e David Koepp, as coisas vão se encaixando e a confusão tomando uma forma compreensível.

 

Tudo bem que a forçada de barra nos minutos finais envolvendo um tipo de clérigo Jack Bauer e seu helicóptero arranca umas risadas involuntárias, mas logo as coisas voltam aos eixos sérios em Anjos e Demônios. É uma pena, no entanto, que o longa feito com mais rigor, ainda não atinja o patamar de grande thriller paranóico ou conspirador e se torne um tipo de fast food: tem sabor, satisfaz por alguns instantes, mas ainda sim é de paladar pobre.

 

Nota: 6,5

Posteridade

Já seria de se prestar bastante atenção apenas por se tratar de um filme de Martin Scorsese, mas Shutter Island vem mostrando outros atributos. Um deles é o ótimo pôster teaser que rola pela Internet. E, claro, não poderia ser de outra maneira, ele é o grande destaque desse Posteridade.

A arte sombria e ao mesmo tempo iluminada traz uma grande carga dramática e um quê de suspense que dão até gosto em esperar essa mais nova parceria entre Scorsese e Leonardo DiCaprio. E a frase em vermelho-sangue "O que teria acontecido com a Paciente 67?" é a cereja no topo do bolo e fecha o tom mórbido do cartaz.

Shutter Island trata da investigação sobre uma assassina hospitalizada que desaparece. Intrigas e rebeliões também fazem parte do caldo, que traz ainda nomes do porte de Mark Ruffalo, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, Ben Kingsley, Michelle Williams e (o grande) Max von Sydow.

A estréia está marcada no Brasil para 9 de outubro. E enquanto não colocamos os olhos nessa produção que promete muito, apreciamos o pôster.

Resumo da Semana (11 a 17 mai)

Highlander - O Guerreiro Imortal (Highlander, 1986). De Russe Mulcahy

Um filme feito há mais de duas décadas que consegue ser tão moderno, mesmo com realizado em meio aos exageros oitentistas - e que muitas vezes se utiliza deles positivamente - é de se admirar. As boas idéias e a trilha sonora irretocável do Queen fazem de Highlander muito maior que seus problemas - um furo ou outro no roteiro são os maiores - e o longa ainda se mantém no panteão dos mais admirados. Esqueça as continuações. Nota: 8,5

Kung Fu Panda* (Idem, 2008). De Mark Osborne e John Stevenson

Com belo visual e ótimas cenas de ação, Kung Fu Panda vence por ser singelo e investir em outros atributos diferentes de seu roteiro, obviamente um dos elementos menos originais da produção. Assim, entre uma câmera lenta e outra, entre um soco e um tombo, rimos das trapalhadas de seu protagonista e nos divertimos nos seus rápidos 90 minutos. Nada que justifique a indicação ao Oscar de Melhor Animação do Ano, mas ainda sim um bom filme. Nota: 8

Assalto à 13ª DP* (Assault on Precinct 13, 2005). De Jean-François Richet

Esse é mais um daqueles filmes que você não dá nada por ele, mas que quando se assiste descobre uma pequena pérola de tensão. Com ótimo ritmo e bons atores encabeçando, a história anda que é uma beleza. Assim, o jogo de gato e rato entre uma turma de invasores e policiais encurralados na tal DP do título vai ficando cada vez mais interessante enquanto um reviravolta aqui e outra acolá seguram a trama. Destaque para Ethan Hawke que ganha o público logo no primeiro minuto. Refilmagem da produção homônima de John Carpenter, de 1976. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

Cadê Tarantino?


Alguém aí pode me explicar o que acontece com os filmes do Tarantino no Brasil? Um dos diretores mais famosos e cultuados no mundo, simplesmente não tem seus trabalhos postos com dignidade nos cinemas brasileiros.

O caso mais problemático vem acontecendo com Death Proof. A produção de 2007 foi idealizada para ser exibida junto com Planeta Terror, de Robert Rodriguez, no projeto Grindhouse, homenagem às produções baratas de terror da década de 1970. Com o fracasso da exibição dupla, os dois longas, então, foram separados e cada trilhou seu caminho. O que chama a atenção é que Rodriguez ganhou sua vez nas salas brasileiras apesar de ser um cineasta menos conhecido que Tarantino. E qualidade das produções à parte, Death Proof continua no limbo verde-amarelo dois anos depois de sua estréia em Cannes. Tarantino, inclusive, já finalizou e exibirá Inglorious Basterds na França em alguns dias sem ter sua última cria posta comrcialmente no Brasil.

O que chama a atenção é que quanto mais famoso o cineasta foi se tornando, maior o hiato de suas peículas por essas bandas. Pup Fiction estava em cartaz desde outubro de 1994, quando aportou no Brasil em fevereiro do ano seguinte, já com suas sete indicações ao Oscar. No projeto seguinte, Jackie Brown, os quatro meses de espera se tornaram cinco, entre a premiere americana (dezembro de 97) e a brasileira (maio de 98).

Já com Kill Bill os brasileiros esperaram sentados, deitados, dormindo. Para assistir ao Vol. 1, levou um semestre inteiro - nos EUA: outubro de 2003, no Brasil: abril de 2004 -, enquanto lá fora o mundo já sabia como Bill ia pro saco no Vol. 2, o qual demorou mais quatro meses para dar um oi por aqui. Aí já tinha americano com o DVD (original) na coleção.

Eu não sei dizer o que acontece, se é falta de bilheteria, excesso de blockbusters, indiferença ou falta de respeito com o público mesmo. O caso é que fãs de Quentin Tarantino sofrem nas mãos dos distribuidores. E olha que nem falei de Cães de Aluguel, que até onde sei, não teve lançamento comercial nos cinemas tupiniquins. Depois reclamam da pirataria...

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