Cinefilia - UOL Blog
Resumo da Semana

 Rebobine, Por Favor* (Be Kind, Rewind, 2008). De Michel Gondry

Esse filme pertence à mesma categoria de produções como A Última Sessão de Cinema ou Cinema Paradiso, ou seja, longas metalinguísticos com um olhar peculiar sobre a própria produção artística, verdadeiras odes ao Cinema. No caso da película de Gondry, com uma abordagem bem específica do que foi lançado nos últimos 30 anos, como se o próprio cineasta revisitasse muitos dos filmes que cresceu assistindo. E como de praxe em sua filmografia, tudo com muita criatividade, partindo de um ponto muito original. Mos Def é o cara que toma conta da locadora de VHS's de Danny Glover. Quando Jack Black desmagnetiza todas as fitas do lugar, Def e ele terão de refilmar tudo o que os clientes pedem para que Glover não descubra a pisada de bola. Assim, versões suecadas (veja o filme e entenda o termo) de longas como Os Caça-Fantasmas, Conduzindo Miss Daisy ou RoboCop surgirão para a alegria dos clientes e platéia. Hilário e uma deliciosa viagem para Cinéfilos entre 25 e 40 anos. Fora que Rebobine, Por Favor  ainda reserva um final emocionante, que toca, de verdade, a quem ama o Cinema. Pode não ser perfeito, mas é magistral! Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

Oscar 2010

E estão aí os indicados ao 82º Academy Awards, ou simplesmente Oscar 2010. Poucas surpresas - isso não é notícia nova - e 10 indicados ao prêmio principal, algo que não acontecia desde a década de 1940.

O que por um lado é bom, pois ótimos filmes como Distrito 9 recebem um (pequeno) reconhecimento, mesmo todo mundo sabendo que é quase nula a chance dele vencer. Mas traz também algumas distorções. Up - Altas Aventuras, por exemplo, se tornou a segunda animação da história a concorrer a Melhor Filme, algo que produções melhores não tiveram a oportunidade, vide Wall-E (2008) e A Viagem de Chihiro (2001).

Up nem é a melhor animação de 2009, Coraline e o Mundo Secreto é muito mais filme e não deve levar o prêmio de Melhor Animação ao qual concorre. Pena, mas vale torcer, quem sabe as surpresas não acontecem na hora de ler o envelope.

Agora, o caso de Sandra Bullock é o mais interessante na minha opinião. Há algum tempo li na Revista SET que Sandra "já era", difícil de discordar à época, já que depois do boom nos anos 90, ela foi relegada a papéis menores em filmes quase sempre desinteressantes. A própria disse recentemente não ser boa atriz. Entretanto, o ano passado foi fantástico para ela nas bilheterias, e de boa críticas especificamente para Um Sonho Possível, papel pelo qual foi indicada ao seu primeiro Oscar, com sérias chances de vencer. Só perde para Meryl Streep em Julie & Julia. Sinceramente? Torço por Sandra, pois até Meryl sabe que mais uma estatueta não fará diferença alguma para sua carreira.

Fiquei feliz em ver Woody Harrelson entre os Melhores Atores Coadjuvantes por The Messenger, mas todos concordam que 2009 foi todo de Christoph Waltz e seu Hans Landa de Bastardos Inglórios.

E vamos para a discussão do momento: Avatar vs. Guerra ao Terror. Quem sai vencedor? Ainda acredito que o segundo, pois já vem cotadíssimo depois dos prêmios dos Sindicatos dos Produtores e também dos Diretores para Kathryn Bigelow. O que não tira a carta na manga de James Cameron: ele está de volta depois de 12 anos e tem, de novo, a maior bilheteria de todos os tempos. E como a Academia adora sucessos estrondosos! Não me espantaria se dividissem os Oscars de direção e filme entre os dois. É aguardar.

De resto fico feliz com o retorno de Quentin Tarantino à cerimônia com seu melhor longa desde Pulp Fiction. Acredito que vença como Melhor Roteiro Original.


Oscar 2010

Abaixo todos os indicados da maior festa de Hollywood!

Melhor Filme
Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Preciosa
Amor Sem Escalas
Um Homem Sério
Up - Altas Aventuras
Distrito 9
Um Sonho Possível
Educação


Melhor Diretor
James Cameron - Avatar
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios
Lee Daniels - Preciosa
Jason Reitman - Amor Sem Escalas
 
Melhor Ator
Jeff Bridges - Coração Louco
George Clooney - Amor Sem Escalas
Colin Firth - Direito de Amar
Morgan Freeman - Invictus
Jeremy Renner - Guerra ao Terror

Melhor Atriz
Sandra Bullock - Um Sonho Possível
Helen Mirren - The Last Station
Carey Mulligan - Educação
Gabourey Sidibe - Preciosa
Meryl Streep - Julie & Julia

Melhor Ator Coadjuvante
Matt Damon - Invictus
Woody Harrelson - The Messenger
Christopher Plummer - The Last Station
Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso
Christoph Waltz - Bastardos Inglórios

Melhor Atriz Coadjuvante
Penelope Cruz - Nine
Vera Farmiga - Amor Sem Escalas
Maggie Gyllenhall - Coração Louco
Anna Kendrick - Amor Sem Escalas
Mo´Nique - Preciosa

Melhor Roteiro Original
Guerra ao Terror por Mike Boal
Bastardos Inglórios por Quentin Tarantino
The Messenger por Alessandro Camom, Oren Moverman
Up - Altas Aventuras por Bob Paterson, Pete Docter, Thomas McCarthy
Um Homem Sério por Joel Coen, Ethan Coen

Melhor Roteiro Adaptado
Distrito 9 por Neill Blomkamp, Terri Tatchell
Educação por Nick Hornby
In the Loop por Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Iannucci, Tony Roche
Preciosa por Geoffrey Fletcher
Amor Sem Escalas por Jason Reitman, Sheldon Turner

Melhor Filme Estrangeiro
Ajami - Israel
El Secreto de Sus Ojos - Argentina
A Teta Assustada - Peru
Um Profeta - França
A Fita Branca - Alemanha

Melhor Animação
Coraline e o Mundo Secreto
O Fantástico Sr. Raposo
A Princesa e o Sapo
The Secret of Kells
Up - Altas Aventuras


Melhor Documentário
Burma VJ
The Cove
Food, Inc.
The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers
Which Way Home


Melhor Documentário em Curta-Metragem

China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province
The Last Campaign of Governor Booth Gardner
Truck: Closing of a GM Plant
Music by Prudence
Rabbit à la Berlin


Melhor Fotografia

Avatar
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
A Fita Branca


Melhor Trilha Sonora
Avatar por James Horner
O Fantástico Sr. Raposo por Alexandre Desplat
Guerra ao Terror por Marco Beltrami, Buck Sanders
Sherlock Holmes por Hans Zimmer
Up - Altas Aventuras por Michael Giacchino

Melhor Canção Original
"Almost There" - A Princesa e o Sapo
"Down in New Orleans" - A Princesa e o Sapo
"Loin de Paname" - Paris 36
"Take It All" - Nine
"The Weary Kind" - Coração Louco

Melhor Curta de Animação
French Roast
Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty
The Lady and the Reaper (La Dama y la Muerte)
Logorama
A Matter of Loaf and Death


Melhor Curta-Metragem
The Door
Instead of Abracadabra
Kavi
Miracle Fish
The New Tenants


Melhor Montagem
Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Preciosa


Melhor Direção de Arte
Avatar
O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus
Nine
Sherlock Holmes
The Young Victoria


Melhor Figurino
Brilho de Uma Paixão
Coco antes de Chanel
Nine
The Young Victoria
O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus


Melhor Edição de Som
Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Star Trek
Up - Altas Aventuras


Melhor Mixagem de Som
Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Star Trek
Transformers - A Vingança dos Derrotados


Melhor Maquiagem
Il Divo
Star Trek
The Young Victoria


Melhores Efeitos Visuais
Avatar
Distrito 9
Star Trek


Crítica: It Might Get Loud

Ele não é adepto do estilo de documentário invencionista de Michael Moore (que é ótimo, mas às vezes se excede), mas uma coisa é certa, Davis Guggenheim também não tem medo de, em seu estilo contido, ousar. Já ganhou um Oscar por isso e com It Might Get Loud (EUA, 2008) cria um ótimo estudo sobre o fascínio da guitarra.

 

Em 2006 o mundo parou com as revelações que Al Gore fazia durante uma palestra sobre o aquecimento global. Algumas melhoradas aqui e ali na dinâmica da coisa, uma edição fluida e, pronto, Uma Verdade Inconveniente se tornou um fenômeno. Não é exagero dizer que o Nobel da Paz recebido pelo ex-futuro presidente norte-americano em 2007 pode ser atribuído ao filme de Guggenheim, vencedor dos Oscars de Melhor Documentário e Melhor Canção (vejam só).

 

O caminho mais fácil seria seguir na onda verde que ele mesmo criou. Mas não, o cineasta fez uma ficção (Gracie, sobre uma jovem que joga futebol), trabalhou com Barack Obama e chegou ao projeto que reuniu ninguém menos que Jimmy Page, The Edge e Jack White para bater um papo sobre música.

 

Para os amantes de rock e guitarras em geral, It Might Get Loud é um prato cheio, afinal, não é toda hora três gerações de guitarristas-símbolo se juntam para discutir guitarras e suas influências. No caso de Jimmy Page é um feito, já que nem suas músicas costuma liberar para trilhas sonoras. Aqui, no entanto você poderá não só escutar as clássicas “Going to California” ou “Whole Lotta Love”, como terá o próprio Page empunhando sua Gibson Les Paul.

Pois da simplicidade dessa conversa entre os guitarristas do Led Zeppelin, U2 e White Stripes é possível ir mais longe do que apenas o olhar para três das obras mais significantes da música nas últimas três ou quatro décadas. Eles falam do Blues e outros estilos que deram origem ao Rock, de como suas histórias de vida determinaram o caminho que seguiram e, claro, de como escolheram suas companheiras de palco. Até mesmo a arrogância, narcisismo e preciosismos daqueles homens te fazem entender melhor de onde vieram canções como “I Will Follow”, “White Orchid” ou “Stairway to Heaven”

 

Algumas cenas são antológicas, a exemplo da abertura em que White constrói uma guitarra com um pedaço de pau, uma garrafa, uma corda e pregos. Ou quando Page dedilha algo enquanto os colegas babam. The Edge ainda reserva uma das frases mais fortes do filme: “Sou apenas um guitarrista ou também um compositor?”

 

O amor pela música salta do estúdio em que estão, vai para as ruas, mostra que aqueles homens não fazem apenas barulho e entretenimento, mas uma sonoridade de alta qualidade, e levam o espectador a conhecer mais e mais sobre um som que ele, em algum momento, entrou em contato. Vale cada minuto e cada nota. 

Nota: 8,5

Globo de Ouro 2010

E a Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood entregou ontem mais alguns Globos de Ouro. Festa badalada e prêmios a rodo, alguns, claro, merecidos, outros nem tanto. E aqui vão meus comentários:

Não, eu realmente não acho que Avatar tenha sido merecedor do prêmio de Melhor Filme de Drama de 2009 - mesmo sendo um filmão. Mas pela bilheteria monumental não é de se estranhar a vitória. Muitos apostavam em Guerra ao Terror, que também perdeu o Globo de Melhor direção - James Cameron bateu Kathryn Bigelow.

E já deixo claro que tenho preconceito contra Nine, indicado a Melhor Filme de Comédia ou Musical. Essa onda de refilmagem nos Estados Unidos está indo longe demais e Nine é um remake de 8 e 1/2, clássico de Federico Fellini. Espero estar muito enganado e torço para que o filme queime minha língua, no entanto achei ótimo o prêmio para Se Beber, Não Case na categoria de Melhor Comédia ou Musical.

Ainda não assisti a Amor Sem Escalas, mas ele tem que ter muito tutano para ter batido os roteiros de Distrito 9 e Bastardos Inglórios.

Agora, Sandra Bullock levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama por O Lado Cego, na minha opinião, pelo mesmo critério de Avatar: dólares. Não que eu não goste dela, tenho uma simpatia muito grande, mas contra estava ninguém menos que Helen Mirren e o detalhe de O Lado Cego ter a maior cara de ser daqueles dramas de SuperCine. Mas fauturou alto, fazer o quê?

Sobre simpatia, digo o mesmo para Robert Downey Jr., mas daí ele levar o prêmio por Sherlock Holmes acho um pouco de exagero. Em 2008 ele esteve em melhor forma com Homem de Ferro e Trovão Tropical (foi indicado por este) e não levou.

E vamos ser sinceros, mesmo Up - Altas Aventuras tendo sido um dos grandes filmes do ano passado, sua história apenas passa perto da originalidade e beleza de Coraline e o Mundo Secreto. Ou seja, não é de forma alguma o Melhor Filme de Animação de 2009.

Dito isso, é esperar pelo próximo grande prêmio, o Oscar - e pelas discussões no dia seguinte à premiação.

Globo de Ouro 2010

Abaixo você encontra todos os indicados em cinema e os vencedores destacados.

Melhor Filme - Drama
Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Precious
Amor Sem Escalas


Melhor Filme - Comédia ou Musical
(500) Dias Com Ela
Se Beber, Não Case
Simplesmente Complicado
Julie & Julia
Nine


Melhor Diretor
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
James Cameron - Avatar
Clint Eastwood - Invictus
Jason Reitman - Amor Sem Escalas
Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios

Melhor Roteiro
Amor Sem Escalas
Simplesmente Complicado
Distrito 9
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios


Melhor Ator - Drama
Jeff Bridges - Coração Louco
George Clooney - Amor Sem Escalas
Colin Firth - A Single Man
Morgan Freeman - Invictus
Tobey Maguire - Brothers

Melhor Atriz - Drama
Emily Blunt - The Young Victoria
Sandra Bullock - O Lado Cego
Helen Mirren - The Last Station
Carey Mulligan - Educação
Gabire Sadire - Precious


Melhor Ator - Musical ou Comédia
Matt Damon - O Desinformante
Daniel Day Lewis - Nine
Robert Downey Jr. - Sherlock Holmes
Joseph Gordon Levitt - (500) Dias Com Ela
Michael Stuhlbarg - Um Homem Sério

Melhor Atriz - Musical ou Comédia
Sandra Bullock - A Proposta
Marion Cotillard - Nine
Meryl Streep - Simplesmente Complicado
Meryl Streep - Julie & Julia
Julia Roberts - Duplicidade

Melhor Ator Coadjuvante
Matt Damon - Invictus
Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso
Christopher Plummer - The Last Station
Christopher Waltz - Bastardos Inglórios
Woody Harrelson - The Messenger

Melhor Atriz Coadjuvante

Mo´Nique - Precious
Julianne Moore - A Single Man
Anna Kendrick - Amor Sem Escalas
Vera Farmiga - Amor Sem Escalas
Penelope Cruz - Nine

Melhor Canção Original
"I Will See You" - Avatar
"The Weary Kind" - Coração Louco
"Winter" - Brothers
"Cinema Italiano" - Nine
"I Want to Come Home" - Everybody´s Fine

Melhor Trilha Sonora
Michael Giacchino - Up - Altas Aventuras
Marvin Hamlisch - O Desinformante
James Horner - Avatar
Abel Krozeniowski - A Single Man
Karen O. and Carter Burwell - Onde Vivem os Monstros

Melhor Filme de Animação
Coraline e o Mundo Secreto
O Fantástico Senhor Raposo
Tá Chovendo Hamburguer
A Princesa e o Sapo
Up - Altas Aventuras


Melhor Filme de Língua Estrangeira
Baaria (Itália)
Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos ou Broken Embraces - Espanha)
Um Profeta (Un Prophète ou A Prophet- França)
A Fita Branca (Das weisse Band ou The White Ribbon - Alemanha / Áustria)
The Maid (La Nana - Chile/Espanha)


Resumo da Semana (11 a 17 jan)

It Might Get Loud* (Idem, 2008). De Davis Guggenheim

Ganhará crítica em breve

Batman - O Cavaleiro das Trevas
(The Dark Night). De Christopher Nolan

Quando se assiste pela primeira vez a O Cavaleiro das Trevas você é arrebatado pela atuação genial de Heath Ledger e tudo parece menor no filme. Mas diante de tantas qualidades, não seria certo dizer "menor" e sim "ofuscado", tamanho o brilho do vilão Coringa. Já na segunda vez, é possível perceber melhor o quanto direção e roteiro são bem trabalhados, dando origem a essa obra-prima do cinema, vinda direto do, muitas vezes raso, mainstream. Os personagens são construídos com calma (e bem) e o herói, antes visto como quase coadjuvante em seu próprio filme, chega ao final como verdadeiro herói (desculpem o pleonasmo) e no exato tom com o qual o longa se faz: obscuro e tortuoso. Nota: 9,5

Trilogia Bourne (2002, 2004 e 2007). De Doug Liman e Paul Greengrass

Em 2002, um filme, à primeira vista menor, chegou aos cinemas e chamou bastante a atenção do público e da crítica: A Identidade Bourne. As qualidades daquela produção de ação era evidentes: o roteiro se aprofundava no protagonista, criava uma pessoa (ainda que cinemaográica) e não apenas um personagem, era ágil e tinha ação de primeira. Faturou bem e foi a gênese de duas das melhores continuações da história. Doug Liman passou a bola para Paul Greengrass e com A Supremacia Bourne a trama de espiões e agências de inteligência foi ainda mais fundo na complexidade, moldando uma verdadeira influência nesse sub-gênero - ou alguém ainda duvida que James Bond tenha se renovado à toa?. O filme era adulto, Jason Bourne era um exército de um homem só frágil, que lutava contra algozes e com a própria mente atrás de seu passado. Já consagrado, voltou com O Ultimato Bourne, que ao contrário da maior parte das chamadas Trilogias, trouxe seu filme mais relevante. A ação está lá, intensa como em nenhum momento antes, a edição é milimétrica e as atuações continuavam fortes. Assim como roteiro que, de uma vez por todas, fecha o arco de Bourne e lhe dá espaço para ser não um super agente vítima, mas um homem de escolhas erradas - uma explicação genial diga-se de passagem. Greengrass filma tudo com a destreza e a urgência de sempre, forma um ícone.

A Identidade Bourne - 8
A Supremacia Bourne - 8,5
O Ultimato Bourne - 9

* Filme visto pela primeira vez

Clipando

Rob Zombie é um cara que admiro. Fez rock do bom com o White Zombie, continuou bem na carreira solo e virou um cineasta de muita personalidade, com longas como A Casa dos 1000 Corpos e a contiuação Rejeitados pelo Diabo - o melhor título de filmes de todos os tempos.

Não satisfeito, ele misturou suas duas artes e dirigiu o clipe de "Dreamer", música do colega Ozzy Osbourne. Aliás, um video que não nada a ver com seus trabalhos anteriores, bem mais contido e lírico, ainda que sombrio. Encaixa-se perfeitamente à música, mesmo não sendo muito original. O resultado é bonito e interessante.

Então, toma aí!

Em tempos vampíricos, sejamos vintage

Crepúsculo que nada, que tal conhecer algo das antigas?

O Cinema já produziu clássicos vampíricos absolutos (Nosferatu) e também brincou muito com sugadores de sangue (Blacula), mas há coisas que descobrimos de vez em quando que é preciso compartilhar. Foi assim, vendo um trailerzinho aqui e outro ali que cheguei ao softporn sanguinário Vampyros Lesbos, um trashzão bizarro de 1971 do diretor Jess Franco (saiba mais aqui).

Pelo nome já se pode imaginar do que trata o longa, mas nada como assistir ao trailer dessa produção que mistura dentes, sangue e lesbianismo. Em tempos de BBB 10 Matadores de Vampiras Lésbicas, que tal revisitarmos influências?

Resumo da Semana (1º a 10 janeiro)

Primeiros filmes de 2010!

 007 - Quantum of Solace* (Quantum os Solace, 2008). De Marc Forster

Se com Cassino Royale James Bond recebeu um upgrade geral, com Quantum of Solace a ideia era continuar com a reformulação. Deu muito certo em certos pontos e errado em outros. As cenas de ação são ainda mais intensas que as do antecessor e tudo é muito bem filmado por Foster. Seria um grande filme, caso não tivesse um roteiro absurdamente confuso, que se apoia em histórias demais e não as desenvolve satisfatoriamente, chegando a desperdiçar bons personagens. O filme ainda vai ser lembrado por ser o único da série 007 a não ter a famosa frase: "Bond, James Bond". O que virá pela frente? Nota: 7,5

 Babe - O Porquinho Atrapalhado (Babe, 1995). De Chris Noonan

Uma vez Jô Soares disse a Roberto Sadovski, da Revista SET, que desanimou do Oscar depois que eles indicaram Babe como melhor filme do ano. Não entendi, pois o longa é uma belíssima fábula que emociona de verdade e realizada com extremo esmero. Começa pela fotografia, passa pela direção de arte, vai até os efeitos visuais e chega à atuação contida (mas ótima) de James Cromwell. Fora que a história construída passo a passo e de final apoteótico é irresistível. Nota: 8,5

 Milk - A Voz da Igualdade* (Milk, 2008). De Gus Van Sant

Sem reiventar a roda, mas fugindo dos maneirismos das últimas cinebiografias de sucesso, Van Sant recria de maneira incrível o período de atuação política de Harvey Milk. Ele foi o primeiro homossexual assumido a assumir um cargo público nos Estados Unidos, ainda nos anos 70. Entre uma paixão e outra, organiza um verdadeiro partido gay para lutar por direitos igualitários num país tomado pela homofobia. O elenco é o ponto alto da produção com um Sean Pean inspiradíssimo e cercado de bons trabalhos, a exemplo de James Franco, Emily Hirsch e Josh Brolin. Peca por ser menos um tanto tímido e pela falta de urgência em algumas questões políticas. Mas faz muito bonito com as imagens de arquivo que dão veracidade ímpar ao longa, como aconteceu com Boa Noite, e Boa Sorte. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

Listando 2009 - Melhores

Em relação a 2008, diminui a quanidade de filmes. Foram 113 filmes em 2009, contra 120 no ano anterior. Sendo que no cinema assisti a 33, contra o 41 de 2008. O motivo é simples: trabalho com horários apertados. Sem problemas, o importante é que o Cinefilia ganhou bastante leitores e mudanças vêm por aí. Só não muda a paixão pelo Cinema!

 Melhores no Cinema

 

Deixe Ela Entrar

Nota: 9

Momento-Chave: Massacre na piscina

 

Distrito 9

Nota: 9

Momento-Chave: Teste da mão mutante do protagonista com as armas alienígenas

 

Avatar

Nota: 9

Momento-Chave: Toda a primeira hora do filme

 

Bastardos Inglórios

Nota: 8,5

Momento-Chave: Seqüência de abertura ou Massacre no cinema ou "Arrivederci!"

 

Martyrs

Nota: 8,5

Momento-Chave: A tortura final

 

UP – Altas Aventuras

Nota: 8,5

Momento-Chave: Seqüência de abertura com a história de Carl e Ellie

 

Quem quer ser um Milionário?

Nota: 8,5

Momento-Chave: Salvamento de Latika do bordel

 

O Curioso Caso de Benjamin Button

Nota: 8,5

Momento-Chave: O velho-jovem Button anda pela primeira vez

 

Inimigos Públicos

Nota: 8

Momento-Chave: Tiroteio na floresta ou Dillinger no cinema

 

Atividade Paranormal

Nota: 8

Momento-Chave: Algo é atirado na câmera e o mal se revela


 Melhores (assistidos) em Casa

 

Coraline e o Mundo Secreto

Nota: 9

Momento-Chave: Céu à lá Monet

 

A Noite dos Mortos Vivos (1968)

Nota: 8,5

Momento-Chave: Missão branca encontra herói negro no final do filme

 

O Grande Golpe

Nota: 8,5

Momento-Chave: Qualquer seqüência com movimento de câmera no bar

 

O Lutador

Nota: 8,5

Momento-Chave: The Ram passeia com a filha

 

Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto

Nota: 8,5

Momento-Chave: Descoberta de que o golpe deu (muito) errado

 

Ed Wood

Nota: 8,5

Momento-Chave: Bela Lugosi abre seu coração para Wood

 

O Massacre da Serra Elétrica (1974)

Nota: 8,5

Momento-Chave: Leather Face faz sua primeira vítima

 

Rejeitados pelo Diabo

Nota: 8,5

Momento-Chave: ‘Free Bird’ começa a tocar e o fim está próximo

 

Team America - Detonando o Mundo

Nota: 8

Momento-Chave: O herói está desesperado, se embriaga e sente os efeitos colaterais

 

A Casa Monstro

Nota: 8

Momento-Chave: A casa se revela de vez

Listando 2009 - Piores

 Piores no Cinema

 

Os Normais 2

Nota: 4

Momento-Chave: Surge um bicho-preguiça

 

Sexta-Feira 13

Nota: 5

Momento-Chave: Jason faz uma refém (!) e não mais um cadáver

 

A Pantera Cor-de-Rosa  2

Nota: 5

Momento-Chave: A única piada boa do primeiro (Hambuga!) é repetida

 

Transformers – A vingança dos Derrotados

Nota: 5,5

Momento-Chave: Um robô com saco escrotal ou Um robô no cio na perna de Megan Fox

 

Dragonball Evolution

Nota: 5,5

Momento-Chave: Toda a constrangedora metade final do filme

 

O Dia em que a Terra Parou (2009)

Nota: 5,5

Momento-Chave: O cataclismo final destrói metal em segundos, mas a bióloga demooora pra sentir algum efeito

 

Besouro

Nota: 6

Momento-Chave: O confronto final contra o inimigo que se resume a uma voadora

 

A Era do Gelo 3

Nota: 6

Momento-Chave: Qualquer uma com bichinhos fofinhos demais

 

Sete Vidas

Nota: 6

Momento-Chave: Reviravolta final que poderia ter acontecido com a metade do tempo

 

Austrália

Nota: 6

Momento-Chave: Começa a guerra e o western romântico vira dramalhão mexicano

 


 Piores em Casa

 

O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas

Nota: 4,5

Momento-Chave: T-800 pega um óculos de estrelinhas (?)

 

Divã

Nota: 5,5

Momento-Chave: Qualquer cena com a péssima trilha sonora

 

Sr. & Sra. Smith

Nota: 5,5

Momento-Chave: Final sem pé nem cabeça

 

O Massacre da Serra Elétrica (2003)

Nota: 6

Momento-Chave: Qualquer perversão vazia da família de Leather Face

 

Gran Torino

Nota: 6

Momento-Chave: Os minutos inicias cheios de caretas de Clint Eastwood

 

Alta Tensão

Nota: 6,5

Momento-Chave: Reviravolta furada e desnecessária que marca o terceiro ato

 

Cabo do Medo

Nota: 6,5

Momento-Chave: Seqüência no barco

 

Na Natureza Selvagem

Nota: 6,5

Momento-Chave: Enfado do espectador depois de 2h30 de (quase) nada

Listando 2009

 Lista Completa dos Filmes Vistos em 2009 com cotações

 

O Informante - 9

Extermínio - 8,5

RoboCop - 8

Os Imperdoáveis - 8

Wall-E – 9

Cloverfield - Monstro - 8,5

Batman Begins - 8,5

Arraste-me para o Inferno – 8

Independence Day - 8,5

Eu te Amo, Cara – 8

Minority Report - A Nova Lei - 8,5

Halloween - O Início - 7

Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto - 8,5

Antes do Amanhecer - 8,5

Antes do Pôr-do-Sol - 9

Os Vigaristas - 8

O Rei Leão - 9

 

Trilogia Matrix

Matrix - 9

Matrix Reloaded - 7,5

Matrix Revolutions - 7,5

 

Garotas Selvagens - 8

A Invasora - 8

Divã - 5,5

Carga Explosiva 3 - 7

JVCD - 8

Cabo do Medo - 6,5

Gran Torino - 6

Ed Wood - 8,5

Cannibal Holocaust - 8

O Dorminhoco - 8

Vivendo no Limite - 8

Menina de Ouro - 8,5

Queime Depois de Ler - 7,5

O Grande Golpe - 8,5

A Morte pede Carona - 8

O Sexto Sentido - 8,5

O Massacre da Serra Elétrica (2003) - 6

The Man from Earth - 8

Coraline e o Mundo Secreto - 9

O Lutador - 8,5

Instinto Secreto - 8

A Hora do Pesadelo - 8,5

A Casa Monstro - 8,5

Rejeitados pelo Diabo - 8,5

Johnny & June - 8

Marley & Eu - 8

O Plano Perfeito – 8

Bolt – Supercão - 7,5

Highlander - O Guerreiro Imortal - 8,5

Kung Fu Panda – 8

Assalto à 13ª DP - 8

Titanic - 8,5

Oldboy - 8,5

Daft Punk - Electroma - 8

A Praia - 8

RocknRolla - A Grande Roubada - 8

Madagascar 2 – 7

Listando 2009

 Lista Completa dos Filmes Vistos em 2009 com cotações Pt. 2

O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas - 4,5

Na Natureza Selvagem - 6,5

Forrest Gump - O Contador de Histórias - 9

A Noite dos Mortos Vivos (1968) - 8,5

Corpo Fechado - 8,5

O Pequeno Príncipe - 9

Coisas Belas e Sujas - 8

Alta Tensão - 6,5

Tenacious D - Uma Dupla Infernal - 7,5

X-Men - O Confronto Final - 8

Um Beijo a Mais - 8,5

MIB - Homens de Preto - 8,5

Revólver - 8

Filadélfia - 8

O Massacre da Serra Elétrica (1974) - 8,5

Sr. & Sra. Smith - 5,5

True Lies - 8

O Nevoeiro - 9

Team America - Detonando o Mundo - 8,5

O Exorcista - 9

Vôo United 93 - 8,5

Quero ser Grande - 8,5

À Procura da Felicidade - 8

Deixe Ela Entrar - 9

2012 - 6,5

Avatar – 9

Atividade Paranormal - 8

Os Fantasmas de Srooge - 7

Besouro - 6

Distrito 9 - 9

UP - Altas Aventuras - 8,5

Bastardos Inglórios - 8,5

Inimigos Públicos - 8

Os Normais 2 - 4

Se Beber, Não Case – 8

Harry Potter e o Enigma do Príncipe - 8

O Exterminador do Futuro - A Salvação - 8

A Era do Gelo 3 - 6

A Mulher Invisível - 7,5

Uma Noite no Museu 2 – 7

Transformers - A Vingança dos Derrotados - 5,5

Anjos e Demônios - 6,5

X-Men Origens: Wolverine - 7,5

Dragonball Evolution - 5,5

Pressãgio - 7,5

Watchmen - O Filme - 7,5

Ele Não Esta Tão A Fim de Você - 7,5

Martyrs - 8,5

A Pantera Cor-de-Rosa 2 - 5

Sexta-Feira 13 - 5

Quem quer ser um Milionário? - 8,5

O Curioso Caso de Benjamin Button - 8,5

O Dia em que a Terra Parou (2009) - 5,5

Sim Senhor - 7,5

Austrália - 6

Sete Vidas - 6

Crítica: Deixe Ela Entrar

Chega a ser um pecado a comparação, contudo depois de assistir a Deixe Ela Entrar (Låt Den Rätte Komma In, Suécia, 2008), Hollywood deveria se envergonhar em continuar a agora “saga” Crepúsculo. Os motivos vão do simples respeito ao mito do vampiro a ter algo relevante a ser dito, e não apenas uma desculpa para captar uns dólares com uma história de amor sobrenatural.

 

Aliás, o respeito à criatura noturna em questão começa pelo título, quando relembra ao mundo um costume certamente esquecido por muitos: o vampiro só entra em sua casa caso você o convide - daí o motivo dele precisar de tanto charme. Em determinado momento do longa, as conseqüências da falta desse convite são mostradas pelo diretor Tomas Alfredson. Assusta e causa muita estranheza.

 

Sentimentos comuns durante toda a narrativa sobre a amizade entre o garoto Oskar e a vampirinha Eli. Entretanto chamar Eli de vampirinha acaba sendo um eufemismo não condizente à personalidade dela, pois o filme faz questão de reiterar que ali há uma criatura noturna, ainda que com sentimentos. São cenas como o ataque no parque que martelam aquela certeza em sua cabeça.

E é de se elogiar a forma com a qual Alfredson trabalha a maldade e o encantador. Ao mesmo tempo em que o espectador se sente fascinado por Eli, é impossível deixar de temê-la. A mistura do lirismo de algumas seqüências com o terror explícito de outras e a liga dada pelo ritmo cadenciado imposto pela trama é que dão a sensação de que algo a mais sempre está por vir. Não à toa o início do filme seja arrastado até que estoura de forma muito original na seqüência da piscina da escola poucos minutos antes do final do longa.

 

Os derradeiros minutos de Deixe Ela Entrar, então, desarmam qualquer um: em meio a um banho de sangue as lágrimas brotam com um fim emocionante que simplesmente não poderia ser melhor. Vale a ressalva: outra vez o roteiro prega uma peça, pois toda essa emoção pode ser artífice da própria Eli para conseguir um novo companheiro para a vida eterna, o que transforma as lágrimas em puro cinismo.

 

Muito mais que apenas requentar velhos clichês da linhagem dos sugadores de sangue, Deixe Ela Entrar é um filme que usa o mito, o insere em paisagens geladas e assustadoramente brancas da Suécia, numa trama moderna a qual passeia por camadas cada vez mais profundas de seus personagens.

 

Nota: 9

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