Cinefilia - UOL Blog
Novo Cinefilia

Enfim!

Olá pessoal,

depois de quase três meses parado, o Blog Cinefilia volta á ativa com nova roupagem. Datado em 2007, o blog é o espaço que criei na Internet para divulgação da minha paixão pelo Cinema quando ainda era apenas um estudante de Jornalismo. Quase quatro anos depois ele já foi tema de reportagem, fonte de plágio, de elogios e críticas. Recentemente ele passou a fazer parte dos blogs do portal Uipi!, o que me deixou muito feliz.

Entretanto, era hora de mais uma mudança: o Cinefilia muda de endereço e de cara, mas mantém o mesmo amor pelo Cinema!

Acessem o link abaixo e descubram o novo Blog Cinefilia!


 

I'm going through changes

Pessoal é o seguinte, o Cinefilia deve ficar parado alguns dias. Motivo: mudanças. Depois de ter ido para o Uipi!, agora é hora de uma reformulação um pouco maior. Novidades vêm aí e vocês serão os primeiros a saber. Quer ir sabendo mais? Siga-me no Twitter (@vlemos).

Abraços!

Resumo da Semana

A Garota da Vitrine* (Shopgirl, 2005). De Anand Tucker

Eu comparo A Garota da Vitrine a um chocolate meio amargo. É doce até certo ponto, mas saboroso como poucas coisas no mundo - nesse caso, no mundo cinematográfico. É incrível como alguns longas nos surpreendem: a história sobre uma garota dividida entre o amor de um homem mais velho que não quer um realcionamento sério e um garotão inexperiente que simplesmente não sabe lidar com uma mulher, é realista em muitos pontos, mas que tem direção de sonho, criando imagens belíssimas, composições de cenas absurdamente plásticas, emolduradas por uma fotografia única, entre o iluminado e o escuro. Também chama a atenção a montagem, com transições criativas e, de novo, muito bonitas, a exemplo daquela em que a janela de Claire Danes se transforma em um ponto de luz em meio ao céu estrelado. Se fosse só isso já era uma grande começo, porém há mais. A garota do título é Mirabelle (Claire Danes), solitária, linda, mas que ainda não encontrou alguém para amá-la verdadeiramente. É quando aparecem em sua vida, Ray (Steve Martin) e Jeremy (Jason Schwartzman), o primeiro um gentlemen, o segundo um moleque. Basicamente acompanhamos a relação entre ela e Ray, contudo o final feliz será de outra natureza. A produção é baseada num conto de Steve Martin, muito bem num papel sério. É para se apaixonar minuto a minuto. Nota: 8,5

Confissões de uma Mente Perigosa (Confessions of a Dangerous Mind, 2002). De George Clooney

O que mais chama a atenção na estreia de George Clooney na direção é como um conjunto de notáveis funciona tão bem: Clooney mostra estilo e inteligência no comando, Sam Rockwell dá um show de interpretação e o costumeiro roteiro amalucado e brilhante de Charlie Kauffman também está ótimo. Era para qualquer um deles se sobressair, mas os três pilares criam um longa cheio de forma e profundidade que não chega a surpreender, mas vai longe em suas pretensões e dá a luz ao retrato da existência perturbada do produtor de TV Chuck Barris - ainda que alguns duvidem que ele realmente tenha trabalhado para a CIA. O filme não julga, apenas expõe a história que ele mesmo escreveu no livro que deu origem ao roteiro. Dizem que Kauffman acusou Clooney de ter deturpado o script que ele lhe entregou, de qualquer forma os dois deveriam agradecer a Sam Rockwell e à liga que o ator dá a toda aquela loucura. Não à toa ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Berlim. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

Crítica: Cartas para Julieta

 

Não tem jeito, nessa época do ano sempre pinta um filme ultrarromântico para aquecer os corações mais apaixonados. E do mesmo jeito que as doses de açúcar crescem nos cinemas, Hollywood apresenta ao mundo sua mais nova queridinha. A bola da vez é Amanda Seyfried, incansável nos últimos dois ou três anos. Só em 2010, ela já pôs em telas brasileiras três longas: Querido John, O Preço da Traição e mais recentemente Cartas para Julieta (Letters to Juliet, EUA, 2010).

A missão dessa vez é arrancar suspiros, que, com certa ponderação, é possível dizer que foi um sucesso. Amanda é Sophie, uma jovem produtora do The New Yorker cujo grande sonho é se tornar uma repórter de campo e escrever. Junto ao noivo, ela viaja para Verona, na Itália, a fim de uma prévia da lua-de-Mel, que deve acontecer em breve. Lá ela descobre as tais cartas para Julieta e como certas “secretárias” as respondem. Mas é daqui que a verdadeira trama sai. Ao responder uma dessas cartas ela toma conhecimento da incrível história de Claire, senhora inglesa que há cinco décadas deixou um texto cheio de dúvida e amor pedindo conselhos a Julieta a respeito de um tal Lorenzo. Bem, a mulher, lógico, vai correr atrás do tempo e leva consigo o neto, Charlie. Juntos à aspirante a repórter, eles irão procurar o amor perdido da sexagenária.

Bem, nem é preciso dizer que Sophie e o tal rapaz irão se interessar um pelo outro, né? Principalmente depois que o roteiro, convenientemente, apresenta o noivo da jovem como um workaholic que não lhe dá atenção – problema amenizado na atuação absolutamente leve de Gael Garcia Bernal, excelente. Ainda que o romance entre Sophie e Charlie seja apresentado esquematicamente – te odeio, te acho legal, te amo -, Cartas para Julieta tem um grande trunfo chamado Vanessa Redgrave, na pele de Claire. Ela é a alma do filme e sua história realmente vai se tornando cada vez mais interessante, sempre sublinhada por um trabalho formidável, que envolve emoção e tranquilidade em cada gesto e flexão de texto da atriz. Fora que o roteiro ajuda bastante em apresentar Lorenzos dos mais engraçados.

E se Vanessa é a alma, Amanda é o coração do longa. Não que seu papel exija muito, mas ela está encantadora, mesmo nos momentos mais bestinhas. Algo que só faz o Charlie de Christopher Egan um chato de galochas. Aliás, não há como não citar o momento em que Claire lembra que o neto faz uns trabalhos pro bono. Artifício barato para tentar quebrar a péssima imagem construída até então do personagem. Talvez com uma personalidade menos irritante para o rapaz e uma aproximação mais sutil entre os jovens, a produção ganhasse alguns pontos valiosos, os quais se somariam à doce trama de Claire e seu Lorenzo. Essa sim, de acender corações. Ah se não fossem os clichês... (suspiro)

Nota: 7

 

Crítica: Homem de Ferro 2

A série de filmes que a Marvel prepara, Os Vingadores, tem um dono e ao mesmo tempo um desafio: Tony Stark. Dono porque a fábrica de quadrinhos/estúdio usou a marca Homem de Ferro como o pontapé inicial para a entrada de vez no mercado hollywoodiano e ele é quem mais leva à frente a preparação do terreno para o longa que reunirá vários heróis sob as asas da chamada S.H.I.E.L.D. Desafio devido à grandeza que Robert Downey Jr. vem imprimindo ao papel de sua vida. Algo que pode sombrear um projeto que, em tese, seria maior que ele.

Quer ver como a comemoração de mais um sucesso pode fazer tremer a Marvel? Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, EUA, 2010), no fim das contas, só não é um tropeço por ter direção e elenco fantásticos e pôr os planos d'Os Vingadores para caminhar. Se não fosse por isso, o longa seria mais do mesmo e nem assim Stark sai arranhado. Como inseri-lo no grupo com o brutamontes Hulk, o hiperpatriota Capitão América mais o semideus Thor, se desses apenas o primeiro pode rivalizar em popularidade com Tony? E olha que Hulk vem sofrendo para emplacar nas telonas...

Até lá, no entanto, é possível se divertir horrores com essa continuação. A trama principal não traz muita diferença do original: há um vilão (Ivan Vanko) querendo fazer o mal e o herói batendo de frente com ele. O que funciona como novidade é inserção em larga escala da S.H.I.E.L.D. Por meio dos personagens Nick Fury e Natasha Romanoff, a Viúva Negra. Eles enriquecem a história, que só tem um ponto dramático: a crise de Stark sobre seu futuro e a instabilidade de personalidade.

O diferencial, de novo, está em Jon Favreau e no cast. Vanko é criado com densidade por Mickey Rourke, da mesma forma que Sam Rockwell dá intensidade a Justin Hammer. Além do mais, dizer Scarlett Johansson está sexy como Romanoff já se tornou clichê e ainda eclipsa o trabalho correto dela. Enquanto isso Don Cheadle defende Rhodes da melhor maneira que alguém pode substituir um colega no maior papel (em tamanho) que ele já atuou – Terence Howard e Marvel não tiveram um acordo sobre salário, ao que parece.

Não precisa dizer, mas sem a força de Downey Jr. dificilmente Favreau conseguiria dar à plateia o mesmo sentimento de caos que motiva Stark a rever sua vida quando ela está por um fio. O cineasta acerta na direção de atores e nas coreografias digitais de combate entre o Homem de Ferro e outras armaduras, como a Máquina de Guerra. Mas falha no mesmo ponto que o longa anterior, na batalha final, que poderia ser épica e é resolvida rapidamente numa jogada manjadíssima e com gosto duvidoso de “unidos venceremos”.

Homem de Ferro 2 ainda guarda uma cena após os créditos que fará os fãs de quadrinhos salivarem, entretanto, terá que ser repensado como marca solitária anterior ao futuro pensando pela Marvel. Aliás, a empresa só não pode querer diminuir Tony Stark em uma eventual terceira história antes da junção dos heróis sob o novo rótulo.

Nota: 8

Resumo da Semana

Adrenalina 2 - Alta Voltagem* (Crank - High Voltage). De Mark Neveldine e Brian Taylor

Não que o primeiro Adrenalina seja um exemplo de "cinema verdade" - muito pelo contrário, é escapismo dos mais divertidos -, mas essa continuação é de um exagero tão grande, que tudo, mas tudo mesmo perde o sentido. OK, é legal ver ação estúpida, mas, por favor, dê algum rumo para a história. Aqui Chev Chelios dispensa as descargas de adrenalina e corre atrás de eletricidade para o coração mecânico que foi implantado no lugar do original. A missão? Bem, buscar o coração verdadeiro enquanto tenta se manter vivo. Personagens antigos voltam, outros são introdizidos e o roteiro nem se preocupa em disfarçar o absurdo de tudo aquilo. Triste, já que o primeiro era doentio sem ser epilético. Aqui é uma convulsão atrás da outra. Deram a direção a um garoto de 12 anos tarado. Nota: 5

Alice in Wonderland: An X-Rated Musical Fantasy* (Idem, 1976). De Bud Townsend

A história que diz que Lewis Carroll nutria uma paixão pela pequena Alice Liddell de 10 anos todo mundo sabe - é para ela o livro mais famoso do autor -, mas a paixão pedófila do escritor não chegou às vias de fato. Entretanto, sempre há espertallhões para tudo e na década de 1970 pensaram: se o livro nasceu de algo tão lascivo, que tal fazermos a nossa versão sexualizada da história? Não que essa fala tenha sido verdade, mas o longa está aí e sinceramente não sei o que pensar, pois ver Alice cantando e seguindo o coelho branco para um mundo em que aprende algumas lições sobre sexo (nas suas várias variantes) é no mínimo bizarro. É interessante ver como o longa justifica (mal) as cenas de cópula. De tudo a garota tira algum aprendizado, culminando, claro, na perda do medo de se entregar ao namorado - alguém vai reclamar do spoiler? Apesar de tosco, pode-se dizer que esse An X-Rated Musical Fantasy é um tipo de fonte inspiradora para Calígula, de 1979. Nota: 4

* Filme visto pela primeira vez

Action!

O que uma boa edição e vários cacoetes dos filmes de ação podem fazer juntos? Se tiver a música certa, criam um video dos mais legais! Foi o que Jacob Bricca fez! Para animar o domingo.

Aumentem o som e ponham em Full Screen!

Alice?

Tim Burton gastou uma nota para fazer sua versão de Alice no País das Maravilhas e o resultado não foi dos melhores. Besteira por besteira, Victor Barão e a galera do Scriptease.tv torraram umas moedas e reimaginaram a história de maneira muito mais divertida. 3D é para os fracos!

Alysse no País da Fuleragem

Resumo da Semana

 (500) Dias com Ela* ((500) Days of Summer, 2009). De Marc Webb

É difícil saber como um filme se transforma num cult. No caso de (500) Dias com Ela, a forma nada engessada ajuda muito, no entanto apenas isso não o levaria a um sucesso tão grande. Se é para apostar em alguma coisa, eu colocaria meu dinheiro no roteiro do longa. Ele é inteligente na maneira como conta a história entre Tom e a amada Summer, os 500 dias se passam sem ordem cronológica e podemos presenciar o pior e o melhor do romance, com uma vantagem para os roteiristas: com situações rápidas e focadas no mais importante, eles conseguem manter platéia e personagens conectados, sem precisar elaborar diálogos muito profundos. Mas é preciso criatividade para criar dezenas de situações para os pombinhos, missão cumprida com louvor. Ao mesmo tempo que sentimos raiva de uma reação-TPM de Summer, soltamos risadas da incrível cena na loja de móveis. E o que dizer do divertidíssimo número musical comandado por Tom na manhã seguinte à primeira transa do casal? Não, o longa não é nenhuma obra-prima da 7ª Arte, é simpático, mas tem seus defeitos e também uma trilha sonora excepcional - ainda que pareça escolher algumas músicas apenas ser mais pop e/ou cool -, além de servir como mais um veículo para ratificar Zooey Deschanel como musa indie. Nâo à toa, linda, ela está encantadora na pele de Summer, enquanto Joseph Gordon-Levitt faz de Tom uma pessoa real. Agora, como entender que a dupla de roteiristas desse sucesso, Scott Neustadter e Michael H. Weber, escreveram A Pantera Cor-de-Rosa 2 no mesmo ano? Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

Cadavérico

É de assustar! O rapper 50 Cent ficou irreconhecível para viver um jogador de futebol americano com câncer no longa Things Fall Apart. Foram cerca de 25 kg perdidos em menos de 3 meses. A dieta era de líquidos e longas caminhadas de três horas.

No elenco também estará Ray Liotta. O filme é dirigido por Mario Van Peebles, ator que esteve em Ali e vários outros filmes de menor projeção.

O caso me lembrou o de Christian Bale em O Operário. Ele emagreceu 30 kg e ficou ainda mais estranho que o cantor. Valeu a pena. O longa em que ele vive uma homem cheio de culpa e paranóia foi um dos grandes 2004.

Mas se a caracterização é meio caminho andado, 50 Cent terá que mostrar serviço atuando, afinal, o impacto em si não carrega um filme nas costas. Bale provou isso e foi além de sua magreza mórbida.

Crítica: Alice no País das Maravilhas

A afirmação é quase uma unanimidade: a história de Alice, a garotinha que descobre o Mundo das Maravilhas, teria na figura de Tim Burton o caminho certo para mais versão rica no cinema. Entretanto, Lewis Carroll deve ter se revirado no túmulo quando a visão burtoniana foi mostrada para as platéias de todo o mundo.

 

Um dos maiores lançamentos de 2010, Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA, 2010) foi aguardado com grande expectativa, ainda mais depois da notícia de que o longa seria convertido para o formato 3D. Imaginou-se uma imersão tão grande quanto à de Avatar. Esperou-se muito da jovem (e desconhecida) Mia Wasikowska, como a personagem-título. Pensaram no quão bizarro e divertido Johnny Depp poderia ser na pele do Chapeleiro Maluco. Falaram do igualmente estranho, mas belíssimo visual que o cineasta poderia imaginar. Ou seja, criou-se uma expectativa monumental para a nova empreitada de Burton. Como se diz por aí, o tombo poderia ser grande. E quase foi.

 

Não, o visual de Alice não passa nem perto do melhor já criado pelo diretor, responsável por A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, lúgubre e engraçado. O motivo é apenas um, efeitos visuais. Depois de Tim ter criado mundos através de direções de arte primorosas, como em Edward Mãos-de-Tesoura ou Os Fantasmas se Divertem, é estranho vê-lo se enveredar cada vez mais pelos caminhos digitais, aumentando exponencialmente a quantidade de cenas feitas na base do chroma key. O efeito colateral é a expulsão da platéia de um mundo que poderia ser maravilhosamente explorado. Um bom exemplo é a cena em que Alice, diminuída, conversa com o Chapeleiro, enquanto este lhe conta o passado. Nem a própria menina parece crível na cena, que deveria ser emotiva, mas acaba chamando a atenção pela artificialidade do ambiente.

De verdadeiro mesmo, apenas Johnny Depp, mais uma vez provando ser um gigante em cena. Na sétima parceria com Burton era de se esperar que a fórmula ator fetiche + papel esquisitão fosse dar sinais de esgotamento, entretanto Depp dá mais uma aula de versatilidade e foge do óbvio, ainda que a caracterização não ajude muito – parecem querer que ela chame mais a atenção que o ator.

 

Por falar em personagem, fica difícil a identificação com a nova Alice. Na história, bem diferente da original em alguns pontos, a garota volta ao País das Maravilhas já com 19 anos, prestes a se casar, mas não se lembra de que um dia esteve lá. Entretanto a motivação parece a mesma: fuga da realidade. Ela está em momento crítico, não se adéqua ao seu tempo e aí que a coisa se complica. Há uma missão a ser cumprida, numa clara alegoria ao monstro do fim da adolescência, mas o arco dramático de Alice simplesmente não é cumprido por ela, pois sempre existe alguém por perto para fazer as coisas, dar a mão, empurrá-la para o objetivo. Se não fosse pela batalha final, ela, incrivelmente, passaria em branco pelo longa. Eclipsada pela hilária (e mais interessante) Rainha Vermelha, vivida com intensidade por Helena Bonham Carter.

 

Por fim, quem viu a produção em 3D descobriu o quanto a conversão lhe fez mal. Não há absolutamente nada que justifique a mudança – a não ser que você se satisfaça com três ou quatro cenas em que coisas pulam em seu rosto. Pelo contrário, em alguns momentos os elementos de cena desfocam ao passarem muito rápido pela tela ou quando vão à frente dos personagens, além de algumas distorções e problemas de perspectiva.

 

É pena que o (em tese) óbvio Tim Burton tenha criado uma versão aquém do que a conversadora Disney já havia feito na década de 1950 com essa história tão psicodélica, quanto genial, criada há quase 150 anos.


Nota: 6

Resumo da Semana

 A Órfã* (Orphan, 2009). De Jaume Collet-Serra

Na última semana achei que tinha visto o pior filme do ano. Estava enganado, A Órfã supera qualquer problema de A Terra Perdida facilmente. Sinceramente não esperava grande coisa, mas o roteiro de David Johnson vai se tornando cada vez mais absurdo até chegar num final simplesmente ridículo. Não bastassem persongens fracos - o de Peter Sarsgaard é especialmente idiota -, o filme se torna uma versão das perseguições clichê de Sexta-Feira 13, em que o algoz pode ser surrado, mas tem sempre um último susto a dar. É inacreditável a falta de sentido do longa, que se contraria o tempo todo e reserva uma revelação no terço final que fará muita gente rir involuntariamente. O cartaz da produção dizia "Há algo de errado com Esther". Há mesmo, a protagonista é um verdadeiro fracasso - e olha que a garotinha Isabelle Fuhrman trabalha até trabalha bem, mas milagre pessoa alguma faz. Nota: 2

 Homem de Ferro (Iron Man, 2008). De Jon Favreau

Há ainda alguma coisa a dizer a respeito de Homem de Ferro? Não muito, mas também não custa lembrar que o filme é uma vitória da diversão sem sacrificar a inteligência. Basta lembrar que os inúmeros efeitos visuais da armadura de Tony Stark impessionam tanto quanto os usados em Transformers, por exemplo, mas na comparação, o longa de Michael Bay perde de longe para o carisma e charme do playboy por trás do Vingador Dourado. Fator ator: Robert Downey Jr. achou o papel da vida e teve apoio do diretor Jon Favreau, firme na condução do longa. Peca apenas por não ter um clímax de mais pegada, mas chama a atenção por ter ação compreensível, apostando em edição menos esquizofrênica. Vale rever freqüentemente. Nota: 8,5

 Detroit Rock City* (Idem, 1999) De Adam Rifkin

Ritmo frenético, personagens rasos, roteiro amalucado e Rock, muito Rock. A princípio quem iria querer ver um filme como esse? Poucos, mas isso a princípio, pois Detroit Rock City é apenas diversão adolescente e irresponsável, numa realização em celulóide dos desejos de qualquer jovem com 16 anos. Pode ser bestinha, entretanto as sitações exageradas se tornam cada vez mais engraçadas e de resolução inesperada. E é incrível como a música não pára um minuto sequer, indo de Black Sabbath a Carl Orff, passando por Ramones, Thin Lizzy e, claro, KISS, grupo que catalisa a trama. Fora que os quatro protagonistas estão numa sintonia ímpar. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

Uipi!

Pessoal,

agora o Cinefilia faz parte da equipe de blogs do portal Uipi!. Há três anos, ainda estudante de jornalismo (foca!), criei o blog para falar da minha maior paixão, o Cinema, e poder treinar a profissão sem muita cobrança ou compromisso. Algns amigos meus passaram a ler, fiz outros colegas cinéfilos pela Internet, consegui um espacinho na cidade - "inho" mesmo - e fui até personagem de reportagem.

Com o advento do Twitter consegui angariar mais leitores e hoje fico muito orgulhoso de ser convidado a participar de um projeto de peso como o Uipi!. Além de ter o Cinefilia como um dos blogs oficiais do portal, também sou responsável por uma coluna semanal sobre os lançamentos nos Cinemas, é o Sexta no Cinema (www.uipi.com.br/sexta-no-cinema). No espaço, falo sobre as expectativas dos principais longas que chegam ao Brasil todo fim de semana. A primeira já está o ar, confiram aqui.

Outras mudanças ainda virão, mas os deixarei informados. Por enquanto comemoro as conquistas e prometo escrever muito, o que não será difícil, afinal, quem não gosta de falara daquilo que ama, certo?

Então anotem aí:

Portal Uipi! - www.uipi.com.br/blogs

Sexta no Cinema - http://www.uipi.com.br/sexta-no-cinema

De cinéfilo para cinéfilos,

Valeu pessoal!

Trilha

Que o Cinema e o Rock têm uma ligação muito forte, todo mundo sabe. Não é à toa que periodicamente uma pérola da Sétima Arte se valha dos encantos demoníacos do Metal para chamar a atenção dos headbangers e cinéfilos em geral. Foi assim com Encruzilhada e Detroit Rock City.

Com Tenacious D a coisa chegou perto do clássico This is Spinal Tap. Não, não se trata de um documentário, mas de uma peça cinematograficamente absurda, hilária e pretensiosamente despojada,  com uma enorme vontade de ser operística.

O resultado é diversão e rock n' roll de boa qualidade, fantasiando a história real do grupo que dá nome ao filme, liderado por Jack Black, o cara de Escola de Rock.

Mas mais do que isso, o Trilha da vez vem homenagear um dos maiores nomes do Metal: Ronnie James Dio, que morreu ontem, vítima de um câncer no estômago. Um mestre. Não é por acaso que o jovem metaleiro incompreendido vai pedir conselhos a ele nessa cena de Tenacious D - A Pick of Destiny, com a música 'Kickapoo'.

R.I.P. Dio!

Resumo da Semana

 Narc (Idem, 2002). De Joe Carnahan

Sem fanfarronices, aqui está um verdadeiro filme policial: vai fundo em investigações realistas, cria dramas verdadeiros e personagens absolutamente incríveis. Fora que o roteiro deixa, literalmente para o último minuto a grande revelação da história.  Se o final é arrebatador, o que dizer da cena que abre o longa? Tensa, rápida, angustiante e uma vitória estética, com edição e direção primorosas. Ótimos diálogos e atuações pouquíssimas vezes vistas nas carreiras de Ray Liotta e Jason Patric. Vale cada minuto. Depois do filme, o diretor Joe Carnahan ascendeu em Hollywood e chegou mesmo a estar a frente de Missão: Impossível III. Não vingou e ele partiu para um projeto mais pessoal, A Última Cartada. Mudou o tom, ficou mais despojado e sofreu duras críticas. A visão dele para a série oitentisa Esquadrão Classe A estreia em junho nos cinemas do Brasil. Nota: 8,5

 A Terra Perdida* (Land of the Lost, 2009). De Brad Silberling

Tudo, mas absolutamente tudo está fora do lugar nessa produção. É mais uma adaptação de série televisiva - O Elo Perdido, da década de 1970 - que não sabe se quer ser moderna ou manter o espírito do material original, resultado: uma besteira sem tamanho que alia efeitos visuais com direção de arte que emula o visual camp da série. O roteiro subverte muitos personagens - transformaram o cientista Rick Marshal num babaca - e as piadas, adultas e ruins destoam em absoluto com a ideia de fazer um longa de uma série juvenil de visual retrô. Will Ferrell até tenta dar ritmo às gags, não fica nem um pouco constrangido, mas deveria, pois não funciona em 90% delas. É duro ver um diretor que, se não é brilhante, até ontem não tinha passado vergonha, entrar numa furada dessas. Brad Silberling, volte para os romances doces (Cidade dos Anjos) ou para o público infanto-juvenil (Gasparzinho e Desventuras em Série). Nota: 3

* Filme visto pela primeira vez

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